segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A DOENÇA MENTAL MATERNA FACTOR DE RISCO PARA CRIANÇA E ADOLESCENTE - O CASO DE FRANCISCA E DIOGO.

A DOENÇA MENTAL MATERNA
FACTOR DE RISCO PARA CRIANÇA E ADOLESCENTE
O papel dos progenitores é dar uma resposta consistente, sensível e apropriada de acordo com as necessidades da criança sendo importante a manutenção das rotinas, dos lugares e das pessoas.
Os primeiros três anos de vida são considerados como os mais sensíveis no desenvolvimento de uma vinculação segura.
O amor, segurança, novas experiências, reconhecimento e o elogio, são as necessidades psicossociais básicas das crianças que facilitam o desenvolvimento num ambiente seguro.
Os pais devem favorecer a maturação física, a exploração social, a aprendizagem, facilitar o desenvolvimento da auto-estima, a identidade pessoal, sentimentos de segurança, garantir a satisfação das necessidades físicas, comportamentais, emocionais como o afecto, empatia, consistência, autonomia e vinculação.
Segundo a teoria da vinculação, os pais constituem figuras significativas de segurança e confiança que permitem à criança explorar o mundo que a rodeia.
Vinculação reactivada quando necessita de se sentir segura ou na presença de situações traumáticas, o que lhe permite desenvolver autonomia e autoconfiança.
Um número significativo de crianças cresce no meio de figuras parentais com doença mental, sendo a depressão cronica a mais frequente.
A exposição da criança ao risco pode iniciar-se durante a gestação.
As meninas mostram-se mais vulneráveis que os rapazes.
A complexidade da doença mental é de difícil compreensão para a criança, que elabora fantasias acerca dela.
A doença mental de um dos progenitores, a depressão cronica, o tempo de duração, o grau de severidade, o comportamento materno,  o envolvimento e a exposição aos sintomas, perspectivas parentais limitadas, níveis elevados de ansiedade materna, os divórcios frequentes, o envolvimento das crianças nas hostilidades  parentais, os abusos, a interacção limitada entre a criança e a mãe, são factores de risco que influenciam negativamente o desenvolvimento podendo ser os precursores de problemas psiquiátricos e sociais ao longo da vida.
Os adolescentes filhos de progenitores deprimidos ou com depressão major são vulneráveis ás doenças psíquicas, manifestam sentimentos de insegurança, comportamentos agressivos, têm menos amigos, menos recursos pessoais para interagirem socialmente, apresentam níveis mais altos de ansiedade e comportamentos suicidas.
As agudizações imprevisíveis, as alterações comportamentais momentâneas, faz com que a parentalidade seja intermitente. 
A resiliência é a capacidade universal de lidar com problemas, resistir à pressão de situações adversas, superar factores de risco desenvolvendo comportamentos adaptativos e adequados.
É um conjunto de forças psíquicas e biológicas exigidas para que uma pessoa supere as adversidades e situações stressantes.
A aceitação amorosa, o suporte social, a capacidade de reflectir, identificar, planear o sentido e o significado de tudo que ocorre na vida, o senso de humor, a auto-estima, a responsabilidade, a autonomia, constituem mecanismos de protecção e recursos que dispomos e promovem resiliência.
A resiliência não elimina o risco, mas encoraja o indivíduo a enfrentá-lo.
Os resilientes evitam os efeitos negativos associados aos factores de risco, desenvolvendo competências sociais, acadêmicas e vocacionais.
A família é um factor importante no desenvolvimento da resiliência.
O bom relacionamento familiar, a competência materna, o apego, a protecção, a transmissão de valores, as atitudes positivas dos pais sobre a importância da educação para o futuro de seus filhos têm papel fundamental no desenvolvimento de crianças resilientes.
O stress familiar, os eventos negativos, os conflitos conjugais são condições clínicas debilitantes que contribuem para o desenvolvimento de distúrbios evolutivos e desequilíbrios emocionais aumentando a vulnerabilidade.
A vulnerabilidade individual é de ordem cognitiva e comportamental, depende da quantidade e da qualidade de informação que dispomos e da capacidade de os elaborar.
A vulnerabilidade faz aumentar a probabilidade de resultados negativos apresentando-se como uma condição inversa ao que ocorre na resiliência.
Ainda que resilientes, a adaptação de Francisca e Diogo não é fácil.
A relação mãe-filhos é insegura, ameaçadora e agressiva pela imprevisibilidade dos comportamentos maternos.
Francisca e Diogo são negligenciados não recebem cuidados básicos, sofrem ameaças de abandono e maus-tratos físicos e psíquicos.
Esperavam receber cuidados maternos, que nunca chegarão a realizar-se.
As suas vidas encontram-se suspensas na esperança de que, no futuro, uma relação real com a sua mãe possa vir a existir.
Marcados por separações, presença dos múltiplos companheiros maternos, desenvolvem sintomas de grande ansiedade e tristeza.
Obrigados a adoptar o papel de mãe, assumem a responsabilidade de cuidadores supervisionando a medicação, procurando e tentando evitar qualquer situação perturbante.
Francisca e Diogo manifestam elevada vulnerabilidade emocional, depressão, desinvestem na escolaridade, capacidades limitadas, défice de atenção, desempenho escolar insatisfatório, inibição nas relações interpessoais, isolamento social, baixa auto-estima, sentimentos de culpa, alterações do comportamento, agressividade como se os maus-tratos da mãe fossem justificados pelos seus comportamentos.
Francisca e Diogo necessitam de acompanhamento psicológico que lhes tem sido negado pela família instituições que se dizem defender os Direitos Juridicamente Protegidos das Crianças como são os Tribunais de Família, a Segurança Social e a Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco.