sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

É PRECISO DETERMINAR O QUE VALE A VIDA HUMANA?


É PRECISO DETERMINAR O QUE VALE A VIDA HUMANA
Numa entrevista ao Jornal de Noticias do Porto, (30 de Dezembro de 2016, página 30/31) um destinto professor catedrático, candidato a Bastonário da Ordem do Médicos, afirmou. Cita-se.
- “ Há medicamentos que dão mais dois meses de vida por 500.000.00€. É exorbitante. É preciso determinar o que vale a vida humana.” – fim de citação.
Não sendo prof. Catedrático, coloco-me sérias reservas se entendi a afirmação.
Presumindo-se que a entendi, permito-me concluir que o destinto prof. Catedrático depreende que é exorbitante investir 500.000.00€, numa vida humana ainda que seja só por dois meses.
O destinto prof. desconhece que os médicos nem ninguém, excluindo Deus, pode determinar o tempo de vida ou o dia em que um individuo vai morrer.
Os fármacos, independentemente do seu valor, tem por função debelar a doença e assim prolongar a vida nem que seja por um dia ou um dia de cada vez como soi dizer-se.
A obrigação dos médicos, determina o Código Deontológico, é debelar o sofrimento e prolongar a vida, razão pela qual não lhes compete saber se uma vida vale 500.000.00€, ou 0.5€.
Seguindo o raciocínio de tão destinto prof. Catedrático, gastar 100€ mensais, 1.200€ anuais, por cada doente crónico diabético, hipertenso, hepático, gástrico, cardiológico, pulmonares, hematológico, neurológico, psiquiátrico, oncológico, ao fim de determinado tempo é exorbitante.
No seguimento do mesmo raciocínio são exorbitantes os meios complementares de diagnóstico e as intervenções cirúrgicas, que custam uma pequena fortuna por cada doente.
Porque desconhecemos quantos meses terão de vida os doentes internados nos cuidados paliativos e cuidados geriátricos pode-se afirmar a existência de gastos exorbitantes.
Então qual será a proposta de tão destinto prof. Catedrático?
Medica-se em função do preço do medicamento?
Se for muito dispendioso não se medica ou administra-se um placebo?
Medica-se em função da presumida esperança de vida?
Como se faz, a olhometro?
Olha-se para o doente e pensa-se: - Este só vai ter um mês e meio de vida portanto não se medica.
E se o doente não morre e sobrevive durante dois anos em sofrimento?
Desconheço em absoluto a idade do destinto prof. Catedrático, mas pela foto publicada aparenta cerca de 70 anos, e sendo-me permitido, com a devida vénia e respeito por tão estimada figura publica pergunta-se se V.Exa. é saudável.
É que não sendo pergunte-se se não será exorbitante investir na sua saúde, ou quanto é que vale a vida de V.Exa.
CARO PROFESSOR CATEDRÁTICO. A VIDA HUMANA NÃO TEM PREÇO!