terça-feira, 20 de dezembro de 2016

1143 – ANO DA FUNDAÇÃO DE PORTUGAL, CUJO FUNDADOR BATEU NA MÃE E FALTOU À PALAVRA DADA.

Em 1096, o conde D. Raimundo de Borgonha, o rei Afonso VI de Leão e Castela entrega o governo do Condado Portucalense ao conde D. Henrique de Borgonha, juntamente com a sua outra filha, a infanta D. Teresa, passando D. Henrique a ser conde de Portucale.
Em 1112, morre D. Henrique e sucede-lhe D. Teresa mãe de Afonso Henriques de Borgonha.
Em 1125, D. Afonso Henriques, um jovem de 14 anos, arma-se cavaleiro segundo o costume dos reis, e apoiado pela nobreza torna-se um guerreiro independente. Na época não existiam playstation 4, nem jogos de guerra, era mesmo a sério.
O Condado Portucalense era dependente de Leão e Castela, então regidos pela Rainha D. Urraca. que morre em 1127, sucedendo-lhe D Afonso VII que adopta o título de imperador de toda a Hispânia, procurando a vassalagem de todos os reinos, incluindo o Condado Portucalense.
Conflitos diplomáticos, a influência e o favorecimento que concedeu a alguns nobres galegos especialmente a Fernão Peres, que se presume ter um caso com D. Tereza, a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses, dá origem à revolta comandada por D. Afonso Henriques.
Em 1128, Afonso Henriques é eleito chefe dos Barões que, temendo a influência galega o forçaram a bater na sua mãe. 
Em 24 de Junho de 1128, D. Afonso Henriques, em S. Mamede, próximo de Guimarães, dá uma grande tareia na sua mãe, exila-a e declara-se rei.
Encontramo-nos perante um crime de violência doméstica que nos dias de hoje a APAV levava ao conhecimento do Ministério Publico para punição do agressor e oferecia uma casa de acolhimento a D. Tereza.  
Afonso VII, cerca Guimarães, sede política do condado, e exige um juramento de vassalagem a D. Afonso Henriques.
Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, dirigiu-se ao imperador e, à semelhança dos políticos portugueses que há 20 anos gerem Portugal, que prestam juramento nas tomadas de posse para cargos públicos, comunica-lhe, sob compromisso de honra, que D. Afonso Henriques jurava sob compromisso de honra cumprir com lealdade as funções para as quais estava nomeado.
Em 1131, D. Afonso Henriques desloca a capital para Coimbra e sente-se com força para destruir os laços que o ligavam a Afonso VII.
Em 1137, D. Afonso Henriques invade a Galiza, trava a batalha de Cerneja e sai vencedor.
Como Afonso Henriques não cumpriu o acordado com o seu aio, como os políticos actuais não cumprem com o seus eleitores, Egas Moniz, acompanhado da sua esposa e filhos, descalço e com uma corda ao pescoço, deslocou-se a Toledo, colocando ao dispor do imperador a sua vida e a dos seus familiares, como penhor pela manutenção do juramento de fidelidade de nove anos antes.
O imperador, comovido com tanta honra, perdoou e mandou-o em paz.
Mas o estatuto de independência carecia de reconhecimento, e foi no Torneio de Valdevez nas margens do rio Vez, em Arcos de Valdevez, que D. Afonso Henriques venceu os cavaleiros leoneses.
D. Afonso Henriques aproveitou a vitoria para cair nas boas graças da Igreja. Por intermédio do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, fez com que o Papa Inocêncio II aceitasse a sua vassalagem contra o pagamento de quatro onças de ouro por ano.
Quatro onças de ouro era muito dinheiro para a época mas D. Afonso Henriques não se inibiu de sobrecarregar de impostos os seus concidadãos através do IVA, IRS, IRC, PC, PEC, IUV, IUC, IMI e de outros impostos desconhecidos na época actual.
Em 5 de Outubro de 1143, o Arcebispo enviou o Cardeal Guido de Vico junto de Afonso VII, obtendo para D. Afonso Henriques o titulo de Rei, no tratado de Zamora. 
D. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal como tributário da Santa Sé, como acontece actualmente com a União Europeia a quem pagamos tributos.
Em 1179 o papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, confirma e reconhece a Portugal como reino independente e soberano protegido pela Igreja Católica.
Um país cujo fundador bateu na mãe, faltou à palavra dada, será alguma vez um País credível e com futuro?