segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O PAPA, OS DIREITOS DAS MULHERES E O ABORTO

O PAPA, OS DIREITOS DAS MULHERES E O ABORTO
Acabei de ver na comunicação social que Sua Santidade o Papa, confere aos padres o Direito de perdoar as mulheres que praticam o aborto e os médicos que as “ajudam.”
No mesmo contexto uma senhora que foi entrevistada, expressando um olhar carregado de ódio, proferiu uma catadupa de palavras defendendo a liberdade sexual das mulheres, o Direito de fazerem o que muito bem entenderem com o seu corpo incluindo o Direito de abortar.
Quanto ao perdão da Igreja, ainda que católico não praticante, é-me indiferente e pouco valorizável.
Quanto ao aborto, digamos Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), por menos agressivo, não me é indiferente.
Aquando da discussão da legalização da IVG, na minha qualidade de ginecologista/obstetra, fui convidado pelo Exmo. Professor Doutor Pinto da Costa para várias palestras sobre o assunto.
À data defendia que é mais humano uma IVG, do que queimar, lançar no esgoto, deitar ao lixo, matar, ou abandonar uma criança.
Por outro lado, nessa altura eu afirma que dada à grande quantidade de métodos contraceptivos uma mulher só engravida se quiser, excluindo-se os casos de violações ou outras agressões sexuais.
Facilmente se deduz que a minha posição é neutra e por isso não sou objector de consciência.
O exercício da minha actividade profissional obriga, o código deontológico, a tratar as pessoas de forma humana e igualitária, neste caso as mulheres, independentemente do credo, da posição social e das ofensas que façam à sua integridade física sempre que recorram aos meus serviços.
No entanto, um médico pode recusar todos os procedimentos médicos ou cirúrgicos que entenda por prejudiciais a quem os solicita, que ofendam a sua moral, a sua ética a sua dignidade, ou a sua crença religiosa, mas tem o dever de salvaguardar a saúde e a vida seja ela embrionária, fetal, da criança ou do adulto.
Defendo a liberdade sexual, os Direitos humanos, onde se inclui os das mulheres.
Defendo o Direito que qualquer ser humano tem de fazer o que bem entender com o seu corpo onde se inclui o consumo de álcool, estupefacientes, as automutilações e até o suicídio.
As IVGs implicam sempre a intervenção de terceiros, médicos, enfermeiros, bruxos, abortadeiras e outros.
Embora as IVGs sejam um Direito das mulheres é um Direito dos terceiros recusarem tais procedimentos.
A mulherzinha confunde liberdade sexual, com gravidez, manifestando ignorância quanto aos riscos elevados que comportam as IVGs como a morte, ablação dos órgãos reprodutivos e infertilidade.
Da minha experiência clinica assisti uma mulher que já tinham praticado seis IVG e a muitos casos de graves complicações pós IVG.
As IVGs não são, nem devem ser, métodos contraceptivos!
Confesso que não entendi muito bem o ódio que a mulherzinha expressou frente às câmaras da televisão, mas que na essência quis dizer que as mulheres têm o Direito de fazer IVGs e que os terceiros (médicos, enfermeiros, abortadeiras, bruxos e outros) tem a obrigação de satisfazer esse Direito.