sexta-feira, 8 de julho de 2016

OITAVA CONFISSÃO PUBLICA DE UM DOENTE BIPOLAR - PARANÔICO

OITAVA CONFISSÃO PUBLICA DE UM DOENTE BIPOLAR
Privada da liberdade de movimentos 
Sujeito-me à bom vontade alheia
Dos que de mim cuidam... De forma amordaçada.
O computador desapareceu onde irei eu escrever e compor?
Não me vendi a nenhum príncipe árabe, mas era como se fosse.
Retiraram-me a liberdade, até de pensar!
Eu observo-os, tentando perceber a dinâmica do jogo,
Para depois um dia fugir bem longe das minhas algemas.
As minhas correntes são psíquicas.
Sou alvo de chantagens recorrentes.
Dizem-me que sou doente,
Não tenho capacidade de ser gente.
Querem subornar os guardas para esses tomarem conta da minha "dose".
Eu, num mundo assim, 
Por vezes, vejo-me a pensar em "overdose".
 Elisagabriel 

COMENTÁRIO
O doente refere que o facto de se sujeitar à boa vontade alheia, dos que dela cuidam, limitam-lhe a liberdade de movimentos, sentindo-se amordaçada.
As doenças físicas ou mentais que impliquem dependência de terceiros limitam a liberdade e os movimentos.
Mais uma vez confessa que é portadora de doença psíquica que a transforma em dependente, que se encontra algemado, mas que “algemas são psíquicas.”
Num delírio de perseguição e negação, muito comum nestes doentes, diz-se alvo de chantagens, que lhe retiram a capacidade de ser gente e que não é doente.
A dose, refere-se à medicação que toma diariamente, sem a qual não é capaz de controlar os distúrbios mentais.
No seu imaginário delirante apelida de “guardas” os que dele cuidam.
OVERDOSE – Pensamento muito perigoso para ela e para a filha.
A verdade é que estes doentes têm tendência para exceder a medicação ansiolítica ao que associam álcool com o objectivo de se sentir mais desinibidos.
Manifesta claramente pensamentos delirantes, característicos de perturbações mentais, com tendência a desenvolver uma personalidade paranoide, agravada pela sua bipolaridade.
CARACTERÍSTICAS DA DOENÇA PARANÕIDE.
Excesso de auto-estima, com delírios de grandeza acreditando piamente que é uma pessoa muito importante, escritor incomparável, ou comparável a alguns autores tentando arduamente convencer os outros de que o é realmente.
Egocêntrico, que pode ser interpretado como um mecanismo para ocultar um grande complexo de inferioridade, manifesta desconfiança, rigidez, não aceita críticas, culpabiliza os outros dos seus próprios insucessos.
Oculta a agressividade, agindo com cortesia, o que faz com que tenha tendência para interpretar erradamente os factos, provocando conflitos afectivos, sociais e profissionais,
Nos delírios eróticos, imagina-se desejado e assediado sexualmente, demonstrando-o através de todos os meios onde se inclui múltiplos parceiros, desconhecidos, que introduz na residência paterna.
Desconfiada ofende-se sem motivo, tornando-se ostensivamente defensiva e hostil. 
Fria e distante têm dificuldade de manter vínculos afetivos, orgulhando-se de ser racional, objetiva, evita o auxílio médico e psicológico argumentando que estes é que são doentes.
Procura redutos sociais do estilo moralista e punitivo como Sukyo Mahikari bruxas, cartomantes, hipnoterapias figuras como Jesus, Dalai Lama, Madre Teresa de Calcutá, mas de seguida relaciona-se com energúmenos da pior espécie, destruindo a sua vida profissional e familiar.