quarta-feira, 27 de julho de 2016

CRONICA DO DIA 27 DE JULHO DE 2016


CRÓNICA DO DIA 27.07.2016

Desrespeitando a minha saúde e borrifando-me para as imagens que o Estado Português se lembrou, agora, de publicar nos maços de cigarros, em vez de mandar encerrar as fábricas de tabaco, fui fumar uma “cigarrada” que me tranquilizou o espírito e me libertou a alma.
Deparo-me com o senhor Aguinaldo Fernandes, homem de 54 anos, mas com aspecto físico de 70, a colher pontas de cigarros, a que os portugueses chamam de “beatas”, vá-se lá saber o porquê, dos cinzeiros comuns.
Vai daí, encetei o dialogo.
- Então? Que está a fazer?
-------Estou a apanhar uma “beatas” para fumar.
- Deite isso fora imediatamente! Afirmei, fazendo valer a minha “autoridade” médica.
Dei-lhe um cigarro dos meus que embora não seja muito saudável, sempre é melhor que as “beatas”.
De seguida, o homem desenvolve um rosário de sofrimento físico, psíquico e moral que me desencadeou uma “onda de choque” seguida de uma “raiva” incontida contra aos que gerem? (dizem eles) os dinheiros públicos.
--------Sabe Dr. O meu olho dtª é de vidro, tenho Parkinson, mas só “tremo” do lado Dtª, e fui operado à cabeça.
- Mas então porquê?
--------Tive um acidente de trabalho. A companhia de Seguros foi condenada a pagar 250€ mensais, mas ainda não me deram 1€.
- 250€ mensais? Mas isso não dá para nada! Digo eu.
---------Pois não Dr. Que faço eu?
- Não tem um advogado?
---------Tenho um daqueles nomeados para os pobres
Tomei conhecimento da existência de advogados para os pobres, que devem ser os mais económicos do mercado, o que me faz presumir que há advogados muito mais caros que serão destinados aos remediados, ricos, riquinhos e muito ricos como o Sr. Mota, que paga 6. Milhões de euros só para evitar o julgamento.
- Então?
--------- Estou à espera.
- E a Segurança social?
--------- Dr. Foi-me atribuído 80% de incapacidade para o trabalho, mas também estou à espera que me dêem a pensão o que me faz “enervar”.
--------- Olhe para isto! exibindo os braços mutilados.
- Mas o que aconteceu?
--------- Sabe Dr. Quando fico “enervado” apetece-me bater, mas como não sei quem são, nem conheço as pessoas que me fazem mal, pego numa faca e mutilo-me. Depois trazem-me ao Hospital.
--------- Tenho muita “raiva”, porque aos “refugiados” dão casa, comida e dinheiro, eu sou português, trabalhei 35 anos e descontei para a segurança social, não me dão o que tenho direito.
Dei-lhe 5 cigarros, paguei-lhe um descafeinado porque dizia ele que não podia tomar café.
Retirei-me cheio de “raiva” ao mesmo tempo que pensava que neste País se fomenta a pobreza e se ofende a dignidade humana dos cidadãos.
Escrevi esta crónica para libertar a minha “raiva” evitando mutilar-me como o Sr. Aguinaldo Fernandes.