domingo, 26 de junho de 2016

CONFISSÕES PUBLICAS DE UMA DOENTE BIPOLAR

1ª CONFISSÃO PUBLICA DE UM DOENTE BIPOLAR
Com esta história, pretendo tornar a sociedade mais sensível à depressão e bipolaridade.
Pretendo que se saiba que a patologia é crónica, pressupõe a toma vitalícia de medicação.
Quando deixas de tomar a medicação e fazes o desmame?" A resposta será nunca.
Múltiplas vezes, deixará a medicação assim que se sentir melhor, para voltar mais para a frente para uma recaída.
Infelizmente todas as medicações têm efeitos colaterais como engordar; ter prisão de ventre; inchaço abdominal; diminuição da libido. A patologia conduz ao acompanhamento psiquiátrico e psicoterapêutico.
A lógica é o "Bipolar" compreender qual o tipo de Bipolaridade em que se enquadra, o tratamento, e como identificar se está a caminhar para uma fase de Depressão ou Mania.
Trata-se de uma doença de foro genético e com cariz hereditária com a qual terá de viver, até que a morte nos separe, a partir do momento em que a patologia se afirmar.
Ainda há quem duvide que não estou bem. Quando não há qualquer fundamento em contrário. A dor e o vazio voltaram.
Hoje, decidi lutar contra mim mesma. E pensei: "mas porque não aproveitas já o que resta do dia de hoje?". E levanto-me, com dificuldade levo a minha filha ao centro de estudos.
Enfio a camisa de noite numas calças de ganga, e lá vou eu, com uma meia de cada cor. Os óculos de sol escondem o que eu não quero mostrar.
Imaginem a minha figura se fosse apanhada numa operação stop ou pior acidente?
Mas volto a deitar-me no conforto, o único, dos deprimidos, a cama. E deito-me, toda suja ainda...
Como uns caramelos, mais do que deveria. Torno-me bulímica de certa forma. Deixo-me adormecer no meu refúgio. Até que acordo e questiono-me e decido que vou aproveitar o resto do dia.
 Elisagabriel 
Comentário.
A doente tem consciência que se encontra mal, que a sua doença é crónica, tem recaídas e que o seu equilíbrio depende da medicação vitalícia. Revela os efeitos laterais dos medicamentos o que corresponde à verdade.
Revela-se deprimida e desleixada, refugiando no leito.
Mais que uma descrição do seu estado, lança um grito como se fora um pedido de ajuda que não lhe advêm de lado algum.
A família pouco ou nada se importa e até colabora para o agravamento da sua doença, abandonando-a, permitindo comportamentos degradantes, pactuando com bruxos cartomantes, reikianos que lhe indicam que deve substituir a medicação por “fumar uns charros” e a abandonar as consultas médicas e psicológicas.
Pior é a sua exposição aos predadores das redes sociais os quais se dizem seus “amigos”
2ª CONFISSÃO PUBLICA DE UM DOENTE BIPOLAR
«Mãe, outra vez em estado depressivo! diz a criança de 10 anos para a mãe.
Desleixada. Mais parecida com um "farrapo" velho.
Deixei de me sentir, eu, linda por fora e por dentro. Deito-me com o fato de treino, sem me lavar. Tomar banho torna-se uma tarefa sempre adiada, árdua.
Deixo de me maquilhar, sabendo que se me arranjasse, talvez me sentisse melhor.
Não sou honesta nem comigo nem com ninguém.
Descubro traumas ainda cravados no meu coração. E choro ao ouvir uma sica daquelas que mexem com os sentimentos. E dou graças pelas lágrimas caírem, ainda que em público, num café familiar. Um cliente se apercebeu.
Quanto mais a quadra natalícia e a passagem de ano se aproximam, mais doloroso se torna manter uma aparência de serenidade. Amanhã a minha vida toma outro rumo. Quantas vezes já disse isso, nos últimos tempos? E como porcarias, que deitam todo o meu esforço em perder peso, para trás. Era pior se não comesse, penso eu. E amanhã é outro dia. Ainda bem que penso num amanhã. Ainda bem que não perdi a esperança. E vivo um dia de cada vez, com vitórias e retrocessos na minha bipolaridade.
Sou uma bipolar, daquelas que quase só vê a cor da Depressão. Mas consegui estabilizar e consigo percepcionar as fases onde me encontro, E para onde posso cair, se não fizer nada. Não faço mal a uma mosca, senão a mim mesma, injustamente, E admito, sem querer, muitas vezes àqueles que me amam.
O meu quadro é depressivo..., Mas, se estiver controlada, sou uma pessoa bem disposta e extrovertida.
Na verdade, sou "ambivertida" (introvertida e extrovertida)».
 Elisagabriel 
Ou
Lisa Beta

Comentário:
A doente descreve perfeitamente o estado deprimido em que se encontra, a falta de vontade e o desleixo até para com a própria filha. Mais uma vez declara que é bipolar.
Diz que não faz mal a ninguém, mas depois admite que o faz e muitas vezes aqueles aquém ama.
Reconhece que o seu quadro é depressivo, se estiver “controlada” é uma pessoa extrovertida, o que mais não traduz que a sua fase maníaca.

A Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco, e o MP, deviam avaliar psiquicamente esta mãe e as suas capacidades parentais, porque a criança que ela descreve corre risco muito sérios.