domingo, 24 de abril de 2016

CRONICA DO DIA 23 DE ABRIL DE 2016 - NOSTALGIA

CRONICA DO DIA 23 DE ABRIL.
NOSTALGIA
Depois de ter uma daquelas noites que podemos classificar de horrorosas, regressei do meu trabalho.
Fui almoçar ao Cais de Gaia, acompanhado do meu filho.
Contemplava o casario que subia da Ribeira até Sé da Cidade do Porto.
Regredi aos meus tempos de criança e recordei com saudade os tempos em que por ali brinquei, quando ia às compras no mercado, que outrora por ali existia, acompanhado pela minha mãe.
Lembro que um dia foram avisar a minha mãe que o meu único irmão se lançava da ponte de baixo para o rio, em competição com os miúdos que à data por ali proliferavam como cogumelos.
Claro está que foi repreendido de forma, digamos que quase, violenta.
Ela coitada, não tinha outra hipótese de “educar” dois miúdos rebeldes que prematuramente tinha ficado sem o seu pai.
Nestas congeminações sou interrompido pelo meu filho, ora com 15 anos e com 1,76 cm de altura.
Pai!
Diz!
- Quando eras pequeno também ias almoçar, aos restaurantes, com o avô?
- Não! Não ia! Porque nessa altura os restaurantes quase que não existiam. Havia eram muitas “tascas.”
- Além disso, o dinheiro era escasso para esse tipo de prazeres.
- Pai! O avô era bom guarda redes?
- Não sei! Só o vi defender uma única vez num jogo entre o Boavista e o Estoril.
O meu pai foi guarda redes do Boavista nos tempos em que as chuteiras eram de travessões, os campos pelados, e os atletas levavam os equipamentos para lavar em casa.
- Pai! O avô era alto?
- Era, acho que tinha 1,93 cm, cabelo claro e olhos azuis.
- Tinha carro?
Este tipo de pergunta irrita-me, mas lá respondi.
- Tinha uma furgoneta Ford.
- E tu?
- Ó Rodrigo!
- O pai já te disse os carros que teve!
- Diz outra vez!
- O primeiro foi um Austin A 35, usado, um Renault Gordin, usado, um For Escort, Volkswagen 1300, Ford Cortina, Ford Capri, Austin Mini 850, Citroen DS 21, Citroen AX, Volvo 264, Citroen Diane, Citroen 2 CV, Spitfire, Rover 45, Rover 75.
Enquanto isto o Rodrigo lá ia vendo os modelos e as características através do seu telemóvel ao mesmo tempo que fazia os seus comentários.
Entretanto a conversa derivou para questões económicas da compra de automóveis.
Tive de lhe explicar que a compra de veículos era diferente.
Ou se pagava a pronto ou a prestações desde que se apresentasse um fiador.
Havia uns papeis que se chamavam “letras” e o fiador também assinava apondo “por aval ao aceitante.”
Pai!
- Tiveste fiador?
- Tive! O meu tio Pedrinho! Era meu tio avô!
- Era rico?
- Mais ou menos!
- Onde morava?
- Junto à Rotunda da Boa Vista, mas era dos Arcos de Valdevez.
- Toda a minha família paterna era dos Arcos de Valdevez.
- Eram ricos?
- Dizem que sim, mas faliram!
Nesta amena cavaqueira, saímos do restaurante e fomos ter com a Rosinha, que ele adora.
Chagados, não a encontramos.
Ligamos.
Ela atendeu aflita porque tinha uma avaria no carro, cujo problema só se resolveu hoje.
Eram já quatro horas da tarde, decidimos ir dar um passeio.
Andamos, andamos e quando demos por ela estávamos nos Arcos de Valdevez, onde já não ia há mais de 10 anos.
Aboim das Choças.
Os terrenos da minha tia avó Rosinha, e do meu tio avó Pedrinho, tinham sido vendidos.
Existiam algumas casas novas, do estilo Francês, e muitas, mesmo muitas, casa características das aldeias minhotas, em ruínas, onde se incluía a casa de granito que foi da minha avó e o único solar que foi pertença dos meus antepassados, também em ruínas.
Depois fomos ao cemitério, onde praticamente já não existia os restos mortais dos meus ascendentes directos até porque a minha avó faleceu em S. Mamede de Infesta e os restantes no Porto. 
Os jazigos eram em granito, modernos embora houvessem restos mortais de pessoas falecidas no século 19, (1800).
Naquele cemitério, chama a atenção o facto de mais de 50%   dos restos mortais dos que lá se encontram terem por apelido, ou nome de família, Rodrigues de Brito.
Sentia-me inebriado por uma paz interior, como se a “alma” daqueles que penso serem ou pertenceram aos meus antepassados, ainda que de outros ramos, invadissem e percorressem toda a essência do meu ser, conferindo-me a certeza absoluta da longevidade das minhas origens que deram lugar à minha existência.
A nostalgia apoderou-se da minha mente e fez-me sentir uma saudade infinita do meu pai, dos meus tios e dos meus avós em especial da minha avó e do meu pai que amei incondicionalmente. 

A NOBREZA DE SER NOBRE RESIDE EM TER PASSADO E SABER QUE A ELE SE PERTENCE.