terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CRONICA DO DIA 09.02.2016


CRÓNICA DO DIA 09.02.2016

Sempre que me desloco para o meu local de trabalho, tenho de percorrer 200 km, passo a viajem a pensar.

Uns pensam, mas não pensam, outros pensam no que devem e outros pensam no que não devem.

Penso que penso no que não devo e esse é o meu grande mal.

Eram 05.30h da manhã e dava-me a pensar no que não devo, como é meu habito.

Nasci, cresci, fui adolescente, jovem, adulto e agora júnior, como soi dizer-se.

Estudei durante 30 anos para ser médico especialista.

Continuei e continuo a estudar, pós graduações, porque nós somos “obrigados” a estar em permanente actualização com o objectivo de contrariar a morte.

Olho para trás e que vejo eu? Nada!

Assimilei conhecimentos para quê? Nada!

Nada porquê? Porque a minha vida, como a de todos os mortais, está em contagem decrescente e quando eu “partir” o conhecimento adquirido vai-se comigo.

Não nego que “curti,” mas… a vida é muito curta, mais curta do que nós pensamos e ainda mais curta porque vivemos num planeta infectado.

O cigarro mata, a poluição mata, as carnes vermelhas matam, as carnes brancas tem hormonas que matam, os peixes estão contaminados com químicos que matam, o leite tem antibióticos que matam, os vegetais tem pesticidas que matam, as bebidas contem açucares e outros elementos químicos que matam, a água dos rios contem radiações que matam, os prédios emitem radiações que matam, o excesso de sol mata, o frio mata, e como senão bastasse qualquer microrganismo como os vírus, que mais não são que simples proteínas, matam.

Temos ainda o dengue, chikungunya, a febre amarela, a malária, o HIV, a HB, a HC, e mais recentemente o Zika que têm infectado e levado à morte milhões de pessoas.

Exclui os acidentes de trabalho, domésticos, de lazer, de viação, de aviação, as bombas, as guerras, os suicídios, os homicídios, as doenças e os cancros.

Assim cercado, sou um prisioneiro da morte que me ameaça a vida a cada milésimo de segundo.

Depois interrogo-me:

- Onde está a liberdade?

- Onde está a felicidade?

- Onde está a Paz?

- Onde está o viver um dia de cada vez se num milésimo de segundo posso estar morto.

- Como posso eu um “cercado” libertar os outros do “cerco” da morte?

Daqui a 2 horas vou fazer uma cesariana.

O bebe está “cercado” porque não tem quase liquido amniótico e está “sentado” (pélvico, dizemos nós).

Quando o ajudar a nascer, vou olhar para ele e pensar, como é meu habito.

Que veio esta criança cá fazer se está imediatamente “cercado?”

É “tramado” não é?

Já sei que vão dizer que a vida é bela!

Pois é! Mas, quem gosta de estar preso, digamos “cercado” pela foice da morte?