domingo, 31 de janeiro de 2016

zika



Gleyse Kelly da Silva segurando sua filha, Maria Giovanna, que nasceu com microcefalia associada ao vírus Zika.
A Organização Mundial da Saúde alertou que o vírus Zika está numa fase de expansão no Continente Americano com maior incidência na América Latina e Africa Ocidental mais de quatro milhões de pessoas podem ser infectadas até o final do ano. 
Funcionários dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças recomendam que as mulheres grávidas evitem viagens para cerca de duas dezenas de países, principalmente no Caribe e América Latina, onde o surto está a crescer.
A infecção parece estar ligada ao desenvolvimento invulgar de microcefalias e lesões cerebrais em recém-nascidos. 
O que é o vírus Zika?
É uma infecção transmitida por um mosquito relacionadas com dengue, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental. 
Apesar de ter sido descoberto na floresta Zika em Uganda em 1947, é comum na África e na Ásia, que não se espalhou pelo Hemisfério Ocidental até maio do ano passado, quando um surto surgiu no Brasil.
Poucos de nós têm defesas imunológicas contra o vírus, por isso se transmite rapidamente. 
Para a maioria, a infecção não causa sintomas e nem lesões permanentes. 
A preocupação científica está focada em mulheres que são infectadas durante a gravidez e aqueles que desenvolvem uma forma temporária de paralisia após a exposição ao vírus Zika.
Todos os meus colegas obstetras devem estar atentos e as grávidas serem submetidas a exames ecográficos até às 19, 20 semanas de gestação.
Como é que o vírus se dissemina?
Através dos mosquitos, mas nem de todas a espécies.
Zika é transmitido por mosquitos do gênero Aedes, podendo-se reproduzir numa piscina ou num meio tão pequeno como uma tampa de garrafa de água.
Geralmente picam durante o dia. 
O mosquito da febre amarela, Aedes aegypti, disseminou a maioria dos casos Zika.
O mosquito tigre asiático, Aedes albopictus, também é conhecido por transmitir o vírus.
Embora o vírus seja normalmente transmitido por mosquitos, existem relatórios de uma eventual propagação através de transfusão de sangue e sexual através sêmen.
Como pode o vírus Zika causar microcefalia?
Os especialistas não têm certeza como acontece, ou mesmo se a culpa é do vírus.
A possibilidade de o vírus provocar Zika microcefalia, “cabeça pequena” e lesões cerebrais, surgiu apenas em outubro, quando os médicos no norte do Brasil notaram um aumento em bebês com microcefalia.
Podem existirem outros factores, como infecção simultânea com outros vírus, que contribuíram para o aumento das lesões. 
Os investigadores podem achar que o vírus Zika não é a causa principal, embora a evidência circunstancial o sugira.
Aproximadamente três milhões de bebês nascem no Brasil a cada ano, cerca de 150 casos de microcefalia são relatados, desconhecendo-se como microcefalia se tornou comum no Brasil, nos últimos meses. 
Actualmente estão a investigar cerca de 4.000 casos porque as grávidas estão mais alertadas e recorrem mais frequentemente aos serviços de saúde.
O que é a microcefalia?
Microcefalia é um cérebro pequeno.
A “caixa” óssea craniana fecha precocemente e o cérebro não atinge o desenvolvimento normal.
Em cerca de 15% dos casos, não há nenhum efeito sobre a criança,
Nos restantes, o cérebro do bebê não se desenvolve adequadamente durante a gravidez ou pode parar de crescer nos primeiros anos de vida. 
Estas crianças podem apresentar atrasos de desenvolvimento, deficits intelectuais ou perda de audição.
Identificar uma causa subjacente ajuda os médicos a aconselhar os pais sobre o prognóstico de seu recém-nascido.
As anomalias genéticas são uma causa comum. 
Pode também ser desencadeada por infeções fetais, rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, alcoolismo materno, fármacos, diabetes, desnutrição.
Se o defeito ocorrer em primeiros anos de uma criança, pode ser o resultado de uma lesão cerebral durante o parto.
Não existe tratamento, nem maneira de corrigir o problema.
Que países devem ser evitados pelas grávidas?
Cerca de duas dezenas de destinos principalmente no Caribe, América Central e América do Sul.
A Organização Pan-Americana da Saúde acredita que o vírus vai-se espalhar localmente em cada país das Américas, excepto Canadá e Chile. 
Como posso saber se fui infectado? 
Existem teste?
Frequentemente é uma infecção silenciosa, de difícil de diagnostico.
O Zika não foi considerado uma grande ameaça porque os sintomas são relativamente leves. 
Apenas uma em cada cinco pessoas infectadas desenvolvem sintomas, que podem incluir febre, exantema, dores nas articulações e os olhos vermelhos. 
Os infectados normalmente não tem que ser hospitalizado.
Não existem teste amplamente disponíveis para diagnóstico do Zika, porque está intimamente relacionado com dengue e da febre amarela, podendo reagir de forma cruzada com testes de anticorpos para os vírus. 
Para detectar o Zika, uma amostra de sangue ou de tecido deve ser enviada para um laboratório a partir da primeira semana de infecção, de modo que o vírus possa ser detectado através de ensaios moleculares sofisticado.
O algoritmo de testes CDC para as mulheres grávidas que têm visitado países em que o vírus está se espalhando Zika. 
Estou grávida e visitei recentemente um país com o vírus Zika. 
O que eu faço?
Devem obter exames de sangue, (hemoculturas) e ecografias.
Em 19 de janeiro, o CDC emitiu orientações provisórias para as mulheres e médicos. 
As grávidas devem consultar o médico. 
As que tiveram sintomas de infecção, febre, erupção cutânea, dor nas articulações e olhos vermelhos após uma viagem ou duas semanas após o retorno devem fazer exame de sangue para o vírus.
Essa recomendação é controversa, porque as mulheres sem sintomas podem estar infectadas.
80% podem estar infectadas sem sintomatologia.
Não há evidências de que os fetos apresentem lesões só porque a mãe está doente. 
Os exames de sangue não são tranquilizadores. 
Os testes só válidos na primeira semana ou após a infecção. 
A pesquisa de anticorpos pode ser feita mais tarde, mas podem originar falsos positivos se a gravida tiver sido infectada pelo dengue, febre amarela, ou mesmo após a vacinação contra a febre amarela.
A ecografia morfológica é o exame mais indicado para detectar microcefalia ou calcificação do crânio fetal, mas só após as 19/20 Semanas de gestação.
Embora não isenta de riscos, a amniocentese, após as 15 semanas de gestação, pode ser um método de diagnóstico.
Mulheres em idade fértil.
Não grávida, sem gravidez planeada, devo ir a um país afectado?
Metade das gravidezes são intencionais. 
Deve fazer uso rigoroso de controle de natalidade para garantir que não ficar grávida.
As mulheres que se tornam inesperadamente grávida durante uma viagem ou pouco depois terá de fazer exames de sangue e ecografias mensais.
Se está grávida e engravidou após o regresso de um dos países afectados o risco fetal é praticamente nulo.
Presume-se que o vírus não fica retido no organismo, e as pessoas que recuperam da infecção são imunes.
O momento mais perigoso para o feto é no primeiro trimestre gravidez, quando algumas mulheres não percebem que estão grávidas. 
Especialistas não sabem como o vírus atravessa a placenta.
Vírus relacionados com febre amarela, dengue do Nilo Ocidental, normalmente não atravessam a placenta. 
Os vírus de outras famílias, incluindo a rubéola e citomegalovírus, às vezes passam a placenta.
Bebês positivos podem ter outros defeitos congénitos ligados ao vírus?
Os recém-nascidos devem fazer exames para a infecção com vírus Zika, se suas mães visitaram ou viveram em qualquer país com surtos e se os testes maternos são positivos ou inconclusivos.
A infecção pode estar ligada a defeitos da visão e da audição, entre outras anormalidades, mesmo que a criança não sofre de microcefalia. 
As orientações aplicam-se aos filhos de mães que relataram sintomas de infecção Zika, erupção cutânea, dor nas articulações, olhos vermelhos ou febre enquanto estiveram num país afetado ou após duas semanas de regresso de uma viagem de tal destino.
Existe tratamento?
Não.
Existe uma vacina? 
Não existe vacina contra o vírus Zika. 
Como as pessoas devem proteger-se?
A Proteção é difícil em regiões infestadas por mosquitos.
É impossível prevenir completamente as picadas de mosquito.
Evitar as regiões onde Zika está sendo transmitidos as mulheres grávidas.
Ficar em quartos com ar condicionado, dormir sob mosquiteiros, repelente de insetos, calças, mangas compridas, sapatos e chapéus.
Se o vírus Zika surgiu á décadas na África e na Ásia porque é que a microcefalia não foi detectada mais cedo?
Pode ser que nunca tenha atingido uma população tão grande sem imunidade.
A Microcefalia é rara, e tem outras causas, incluindo infecção do feto com rubéola citomegalovírus ou toxoplasmose,  envenenamento do feto pelo álcool, mercúrio, radiação, desnutrição materna grave, diabetes, mutações genéticas, incluindo o síndrome de Down.
As autoridades de saúde prestaram pouca atenção ao vírus Zika, embora tenha aparecido nas mesmas regiões que o dengue e chikungunya.
Sabe-se que alcançou a Ásia e a África há pelo menos 50 anos atrás.
Embora possa ter causado picos de microcefalia como parece, não houve testes para definir as causas.
Em 2007, uma cepa passou do Sudeste Asiático para o Pacífico Sul, provocando surtos rápidos nas ilhas, onde ninguém tinha imunidade, mas como as populações insulares são pequenas, raros efeitos colaterais e frequência não foram notados. 
Em 2013, durante um surto na Polinésia Francesa, que tem 270.000 habitantes, os médicos confirmaram 42 casos de síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia em cerca de oito vezes superior ao número normal. Foi o primeiro indício de que o vírus Zika pode atacar o sistema nervoso, que incluindo o cérebro.
Em maio passado o vírus foi confirmado pela primeira vez no Brasil, espalhando-se como um incêndio. 
Os primeiros alarmes de microcefalia foram levantados em outubro, quando os médicos do Estado Nordestino de Pernambuco relataram um surto de bebês infectados. 
Pernambuco tem nove milhões de habitantes e 129.000 nascimentos anuais. Num ano típico, nove crianças são microcéfalos.
Os surtos de Zika fora do Brasil, estão ligados à microcefalia fetal?
Na Polinésia Francesa há suspeitas sobre um surto há dois anos atrás.
A Polinésia Francesa é a única área fora do Brasil a ser infectada por um surto de Zika em que autoridades de saúde pública identificaram um aumento no número de fetos e bebês com micorcefalia. 
Não existem suspeitas elevadas de uma ligação entre o vírus Zika e a microcefalia na Polinésia Francesa.
Em novembro passado, na Polinésia Francesa, foi reinvestigado um surto de Zika que durou a partir de outubro de 2013 até abril de 2014.

Copilado e traduzido para português, de uma publicação do York Times.