sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

SERÃO AS DOENÇAS MENTAIS CONTAGIOSAS?


 SERÃO AS DOENÇAS MENTAIS CONTAGIOSAS?
Podemos afirmar que no sentido restrito da palavra, as doenças mentais não são contagiosas como as viroses ou as infecções bacterianas.
Por outro lado, a convivência sistemática com um doente mental é um factor de risco porque geralmente desencadeia estados depressivos e outras alterações comportamentais nos familiares que com eles convivem.
É do conhecimento médico que 80% dos casos das doenças mentais são hereditárias pelo que o estudo dos antecedentes familiares é importante.
A doença mental é de difícil diagnóstico, sendo tanto ou mais grave que uma doença física. Tem graves repercussões nas sensações, emoções e ideias.
Os sintomas conduzem a uma perda de liberdade porque são determinados pela doença, não pela vontade do doente.
Alterações importantes da personalidade e da autonomia tornam estes doentes incapazes de exercer a sua actividade profissional.  
Os familiares devem ser informados sobre as características, evolução e consequências da doença.
A probalidade de suicídio fazem encurtar a esperança média de vida.
As infidelidades matrimoniais são frequentemente nas doentes mentais, existindo casos de múltiplos parceiros em curtos espaços de tempo.
A sexualidade é distorcida, não conseguem raciocinar nem resistir aos impulsos imediatos, registando-se um alto índice de separações, risco aumentado de doenças sexualmente transmissíveis (HIV, HB, HC, SIFILIS, HERPES, Etc..) que transmitem aos seus cônjuge, e gravidez indesejáveis. Assim, uma doença mental pode-se transformar numa doença infecto/contagiosa de graves repercussões.
Pensamentos grandiosos, delirantes, (vivendas à beira-mar, carros de alta cilindrada, gastos supérfluos) fazem parte do quadro clínico.
As obstinações, sentimentos de perseguição, de desconfiança, delírios, abuso de álcool, estupefacientes são a causa de grande sofrimento conduzindo a um desgaste do doente, do  cônjuge, dos familiares e de toda a família. 
Frequentemente manifestam uma perda da sensibilidade, de sentimentos, uma superficialidade, frieza nas relações amorosas e de carinho, que destrói quase por completo todos os sentimentos de quem os ama.  
Tratamento
A medicação só ajuda o doente a deixar de pensar de modo distorcido..
Para convencer o doente mental a iniciar o tratamento, é um processo difícil, longo que deve ser iniciado pela família e profissionais de saúde.
Mantê-los em tratamento também é complicado porque ao menor sinal de melhora podem abandoná-lo.
A interrupção de forma muito brusca, pode desenvolver complicações muito graves.
É comum os pacientes reavaliarem os seus comportamentos algum tempo após o início das consultas e à medida que os medicamentos fazem efeito, passam a agir de forma mais centrada.
Conclusão
Como vimos a doença mental, por mais abrangente, é mais grave que uma doença de foro físico, pelo que perguntamos se devemos abandonar estes doentes à sua sorte.
Como médico responde categoricamente que não.
Vivenciando pessoalmente e em comum com um destes doentes deve-se ponderar as hipóteses de contágios.