terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CONTO DE NATAL - UMA VIDA INTERROMPIDA


CONTO DE NATAL
UMA VIDA INTERROMPIDA
O conto inspira-se no filme do mesmo título emitido em (26.12.2015) pela Fox Life
O nome do personagem é fictício e qualquer semelhança com casos reais é pura coincidência.
O autor não assume qualquer responsabilidade das ilações retiradas pelos leitores.
Decorria o ano de 2012 DC quando “envolta em luminosidade celeste” surge, como que por milagre, aquele “anjo,” irradiando ternura e ao mesmo tempo o desespero da angústia.
Senta-se na mesa do café onde diariamente John se sentava para “rascunhar notas.”   
Os seus olhos meigos e angustiantes fitam profunda e insistentemente John.
Sem meias palavras, pega-lhe na mão, corajosamente e sem meias palavras, diz:
- Gosto de si!
- Estou apaixonada!
- Mas ao mesmo tempo meio perdida!
Saído de uma relação complicada, há cerca de três anos, John sentia alguma atração por aquela senhora que frequentemente observa,  de uma forma fugidia, quando ela ia tomar o seu café.
Lisonjeado, mas muito surpreendido, John olha-a nos olhos e pergunta-lhe:
- Mas, como assim?
- Não é casada?
- Como se pode apaixonar por alguém que mal conhece?
Ela:
- Não!
- Não sou casada!
- Acabo de sair de uma relação extraconjugal complicada, e encontro-me numa fase de divórcio!
- Já informei o meu marido que estava apaixonada.
John surpreende-se com as contradições, mas…
De seguida desenvolve um corolário de denuncias contra o ex-marido e a sua última relação.
John, escuta-a sem  interrupção e com muita atenção durante longos minutos.
John, afagando-lhe o rosto, diz-lhe que antes de assumir qualquer compromisso seria mais agradável que ambos se dessem a conhecer.
De simples amizade passaram a uma relação e desta a uma união de facto.
Um ano após John observa comportamentos característicos de alguém que não se encontra de perfeita saúde.
John toma conhecimento que é portadora de doença crónica e que o seu equilíbrio depende de fármacos que frequentemente auto-suspende. 
Sempre que fisicamente debilitada ela manifesta dúvidas.
Separam-se!
Ela regressa a casa dos seus pais, passando a viver só.
John tem informações e observa  que a doença se agrava de uma forma assustadora. Suspendeu a medicação, saídas noturnas, não acompanhada, ausências prolongadas ao trabalho e marcação de “encontros”, fortuitos sem qualquer significado afetivo.
Um sujeito ligado as terapias reikyanas e energias “positivas” diz-lhe que a medicação intoxica o organismo, aconselhando a sua suspensão e substituição por uns “charros.”
Cobra-lhe 300€ para fazer uma “reconecção”.
Em Outubro, (o dia foi omitido por vontade do autor) diariamente telefonava e enviava mensagens para John dizendo que se sentia só e abandonada.
John é invadido por um sentimento de compaixão.
Leva-a a almoçar, a jantar.
Conversam sobre as dúvidas, a doença e sobre o facto de ter suspendido a medicação.
Nesse mesmo dia John deixa-a em casa e regressa á sua residência.
Estava pronto para se deitar quando toca o telemóvel.
Era ela!
Manifestava ansiedade, nervosismo, instabilidade emocional.
Chorava ao mesmo tempo que dizia:
- Não quero ficar sozinha!
- Não me veio a menstruação.
- Sinto-me enjoada e fiz um teste de gravidez!
- Tenho medo de estar grávida e não sei ao certo quem é o Pai.
- Por favor, vem buscar-me.
- Ajuda-me!
John condescendeu.
Durante a noite, John deixou que ela repousasse a cabeça no seu peito.
Acariciando-a, sussurrava-lhe docemente ao ouvido:
- Compreendo a tua angústia.
- Fizeste muito mal não só a ti como aos que te amam.
- Porque magoas as pessoas?
- Tem calma!
- Está feito e agora não se pode voltar atrás.
- à manhã logo se vê.
Calmamente adormeceu.
John fita demoradamente na quietude do seu sono que se assemelhava ao da Bela Adormecida.
O seu rosto irradiava Inocência e John insistia afirmando para si mesmo:
- Tens de a proteger!
- Tens de cuidar dela!  
A tristeza invade o coração de John enquanto duas traiçoeiras lágrimas lhe irrompem fortuitamente pela face.
John chora copiosamente enquanto ela repousa na paz dos Anjos em que acredita.
John sente-se mais “aliviado.”
De seguida aflora-lhe à pele um sentimento de raiva e uma fúria incontida contra os predadores que impunemente se aproveitam da fraqueza humana e principalmente dos inocentes.
No dia seguinte foi submetida a  teste da gravidez.
John aconselhou-a a telefonar para o presumido  suspeito.
Do outro lado da linha recebeu desprezo, injúrias e ameaças.
Decorridos oito dias foi submetida a outro teste cujo resultado foi negativo.
Nas semanas subsequente John transmite-lhe afeto, carinho, amor, apoio e o acompanhamento necessário  ao seu equilíbrio emocional.
John Leva-a ao cinema, a longos passeios de fins de semana, compra o almoço, lava a loiça, algumas vezes confecciona o jantar, leva e vai  buscar a filha à escola, arruma-lhe a casa, todos os dias apanha e lava a porcaria dos cães, enquanto ela dorme ou passa horas na net., deitando-se muito tarde.
No início de Dezembro manifesta, novamente desequilíbrios emocionais.
Mais uma vez, refere dúvidas.
John sabe que e mais uma vezes reduziu a medicação sem aconselhamento médico.
Quer ir para as danças do ventre e quizumbas.
John “descobre” mais “complicações” ora com um sujeito de Lisboa, ora com outro de Felgueiras, ambos casados e pais de duas filhas.
John sente-se impotente e zangado consigo próprio por não conseguir ajudar.
Pede ajuda, mas ninguém está disponível. Recorre a ajuda médica e ao apoio familiar que lhe é recusado.
John decide informar os pais transmitindo-lhe todas as informações de situações graves que inadvertidamente cometeu, pelo facto de auto suspender a medicação.
John não se quer envolver mais neste triste caso com a agravante de não ter tido ajuda familiar e de ainda ser maltratado.
E assim, nesta quadra festiva em que é exaltado o amor, a vida de John foi mais uma vez interrompida, de uma forma abrupta, por alguém que ele pensava que o amava.
John fica só com o seu filho na Noite de Natal que se traduziu na Noite de Natal mais Negra da sua vida.
Mas, dada à existência da elevada quantidade de amizades que conquistou ao longo da sua vida foram inúmeros os convites de outras famílias para uma ceia de Natal tendo  aceite um deles.
Quem não tem espírito diário de Natal não é certamente que o vai ter no dia 24/25 de Dezembro de cada ano e por isso mesmo John entende que o dia de Natal mais não é que uma farsa e hipocrisia. 
As doenças não justificam, ou não deviam justificar,  o cinismo, a traição, o desrespeito, nem o sofrimento que causamos aos que nos amam.

BOM ANO 2016

 

 

 

 

 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

NATAL! QUE NATAL?

CRONICA DO NATAL
O Natal mais não é que uma festa litúrgica de cariz católico Romano, que em nada se relaciona com o nascimento de Jesus Cristo (natividade) até porque não existem registos nem escrituras apostólicas que nos indiquem a data do Seu nascimento.
Entre os pagãos, em homenagem a Saturno, deus da agricultura. celebrava-se o solstício de inverno que ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador.
Embora a data não seja a mesma todos os anos, pode-se dizer que ocorre normalmente por volta do dia 22 de Dezembro no hemisfério norte e 21 de Junho no hemisfério sul.
Alguns escritores cristãos primitivos ligaram o renascimento do sol com o nascimento de Jesus. Por decreto do Papa Júlio I, no ano 350 d.C. (seculo III) o Natal passou a comemora-se em 25 de Dezembro como sendo a data do nascimento de Jesus Cristo em substituição da veneração ao deus sol.
O Natal mais não era que um pinheiro, um presépio e a reunião das famílias á hora da ceia, composta pelos visavós, avós, pais, filhos e netos. Por vezes reunia mais de 50 pessoas.
Após o século XXI, o Natal perdeu o cariz sócio/religioso e familiar para se transformar num evento de interesses puramente económicos, numa dicotomia do dou-te, mas espero que retribuas.
CONTO DE NATAL
Era uma vez um jovem pai de três filhos.
O Natal era celebrado com a família composta pelas avós, os pais e as crianças.
Por vezes aparecia um ou outro familiar com os seus filhos.
A ceia era composta por batatas com bacalhau, ovo e penca, bem regadas com azeite.
Após a ceia seguiam-se as iguarias como as rabanadas, o leite creme, a aletria, as filhoses, os pinhões, as nozes, as uvas passas, os figos secos, o bolo rei e o pão de ló, Enfim! Um nunca mais acabar.
Após a jantarada as crianças, ansiosas, ficavam por ali a brincar até à hora de abrir e repartir as prendas, enquanto os adultos bebiam um café, um cálice de vinho do Porto e fumavam um cigarro que à data não se suponha que o fumo matava quer o fumador quer os que lhe estavam próximos.
Distribuídas as prendas era ver a satisfação e o contentamento dos petizes.
O Jovem tornou-se muito mais adulto e as crianças tornaram-se jovens desvalorizando o espirito de Natal, mas valorizando cada vez mais as “prendas”.
Incompatibilidades culturais desencadearam um mau estar entre o casal que terminou em divorcio.
No entanto, aquele pai sempre festejava o Natal conjuntamente com os seus filhos e cuidou da sua ex-companheira em situação de doença muito grave.
Filhos que constituíram família, mas mantendo um relacionamento salutar com o seu pai.
Entretanto, aquele jovem foi conhecendo e “namorando” outras jovens na busca constante de encontrar a mulher “ideal” que o fizesse feliz.
O seu caminhou cruzou-se com uma jovem, vinte anos mais nova, proveniente de uma família humilde de parcos recursos sócio económicos e culturais.
Viveram em união de facto durante doze anos e da relação nasceu um lindo menino.
Chegados aos doze anos de vivencia em comum, tinha o menino sete e a jovem quarenta anos, ela diz que a relação não dava sem apresentar qualquer argumento que justificasse a sua decisão.
Dada a sua forma liberal de estar na vida ele anuiu de forma cordata, mas perguntando-lhe como se faria com o menino quando ela fosse trabalhar, porquanto tem uma actividade profissional por turnos nocturnos, diurnos e fins de semana.
Ela respondeu que o filho era seu e que quando fosse trabalhar entregava a criança a quem muito bem entendesse.
Ele moveu um processo para regulação do poder paternal que decorridos oito anos ainda não se encontra solucionado.
O pai do menino foi submetido a todas as formas de violência física e psíquica pela mãe, pela sua advogada e pelo seu suposto companheiro proveniente da noite do Porto e do submundo do trafico e do consumo de estupefacientes.
O Pai das quatro crianças pediu ajuda aos três mais velhos que eram já adultos.
O mais velho disse que não ia testemunhar quer a favor do pai quer a favor do irmão. No entanto, ainda foi uma ou duas vezes a tribunal testemunhar o comportamento do seu progenitor enquanto pai.
A segunda foi a tribunal testemunhar contra o seu pai e contra o seu irmão a favor da mãe do menino. Testemunhou contra o seu pai (o que surpreendeu a juíza) numa acção movida contra a advogada da mãe que transcreveu numa peça processual que o pai é portador de uma doença patológica genética.
A terceira incompatibilizou com o pai porque este discordou do facto de ela não liquidar as prestações dum financiamento sobre um veículo em que é fiador.
Desde então este pai perdeu o contacto com os seus filhos mais velhos e há três Natais que não existe qualquer conceito de Natal, ou seja, uma vivência de contexto familiar.   
O mais novo fica com o pai ora na noite de Natal, ora no dia do Natal transmitindo momentos de elevada felicidade mesmo sem ser Natal.
Dada à existência da elevada quantidade de amizades que este pai conquistou ao longo da sua vida foram inúmeros os convites de outras famílias para uma ceia de Natal tendo ele aceite um deles.

Quem não tem espirito diário de Natal não é certamente que o vai ter no dia 24/25 de Dezembro de cada ano e por isso mesmo entendo que o dia de Natal mais não é que uma farsa e uma hipocrisia.  

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SAÚDE MENTAL - PROTECÇÃO DOS DOENTES.

SAÚDE MENTAL
Falar-se de saúde mental presume-se da existência de doença mental.
Sendo médico especialista em ginecologia/obstetrícia não me é dado conhecimentos científicos profundos na área da psiquiatria.
Num suplemento comercial editado por um jornal diário foi tornado publico que em Portugal é o país da Europa com maior prevalência de doenças mentais, desconhecesse a realidade, não se dão respostas adequadas aos portadores da doença e que na saúde mental só se investe 5%, o que representa menos de metade do que é investido nos países da EU.
Nas doenças somáticas, o doente tem consciência da sua doença, por norma adere aos tratamentos, tem apoios familiares, dos técnicos de saúde de uma forma mais assídua e consistente. 
Dado ao elevado grau de dificuldade de “penetrar” na mente, a doença mental é um problema de saúde mais grave que qualquer doença somática.
Nas doenças da mente, o doente não admite a sua doença.
Entende que os que o rodeiam é que se encontram doentes, os médicos fizeram diagnósticos completamente errados, não aderem, auto-suspendem os tratamentos e mentem frequentemente sobre o assunto.
Por outro lado, o doente é “rotulado” de “louco”, marginalizado pelos seus “amigos,” familiares, entidades patronais, directores, chefes de serviço, colegas de emprego e até por alguns técnicos de saúde.
No âmbito da minha especialidade sou confrontado, diariamente, com mulheres portadoras de patologia mental caracterizadas por ansiedades, estados depressivos simples, graves, muito graves com tentativas de suicídio, esquizofrenias, bipolaridades, equivalentes somáticos intratáveis porque a sua doença não se encontra nos somas (corpo ou órgão) mas unicamente na sua mente.
As que se encontram estáveis por meio de fármacos e sob “controlo” médico psiquiátrico, são reavaliadas e reencaminhadas para a psiquiatria quando sob suspeita de terem suspendido a medicação.
Outras recusam veementes serem submetidas a uma consulta de psiquiatria.
A doença mental fragiliza o seu portador fazendo com que seja presa fácil dos predadores sexuais e económicos das medicinas alternativas, adivinhos, cartomantes, massagens tântricas, reikis com reconecções, de indivíduos sem escrúpulos, existentes no Face Book, no Linkedin e em outras redes ditas sociais. (seis identificados).
O doente com patologia mental deve ser protegido pela família e impedido ou controlando quanto as “amizades” e a exposição a que se encontra sujeito através das redes sociais.
Deveria haver mecanismos jurídicos que penalize fortemente os predadores e proteja as suas vítimas.
Recentemente identifiquei um médico, dito cirurgião, que utiliza o Linkedin, rede profissional, para criar “novas amizades”, diz ele, não relacionadas com a sua actividade profissional mas cujo objectivo é o “engate,” fazem dele um doente mental.
As alterações ou distúrbios mentais aplicam-se a qualquer anormalidade ou estados comportamentais que podem caracterizar um estado de doença mental.
“Podem”, digo eu, porque o conceito de normal ou anormal é subjectivo.

“CONCEITO DE ANORMALIDADE
O conceito de anormalidade só é compreensível em relação a uma norma, mas nem toda variação em relação a uma norma tem carácter patológico.
As normas “impostas,” que regulam a sã convivência social, podem ser provenientes de mentes, também elas, portadoras de anormalidades, não estando assim garantida a veracidade das “normas” que impõem.
A História está repleta de normas impostas por portadores de doença mental que conduziram a Humanidade a catástrofes.
Por outro lado um sobredotado ou um criminoso estão ambos "fora da norma", sem que seu estado tenha um carácter patológico.
Para se compreender a existência de doença mental é necessário saber-se em que tempo, em que sociedade cultural é que a norma foi implementada por ser relevante para a definição de doença.
Na Norma subjectiva a pessoa sente-se doente.
Esta norma não é suficiente para uma definição de doença mental, porque envolve uma percepção subjectiva que pode derivar de uma percepção objectiva, além de que as duas percepções podem estar contidas no mesmo problema.
Há casos em que a pessoa está subjectivamente doente, não sendo o seu estado observável externamente ou vice-versa.
A Norma estatística é dada pela frequência do fenómeno na população em que todas as pessoas estão acima ou abaixo de um valor instituído como padrão para a normalidade.
Esta norma não considera o valor das características de cada pessoa que pode estar dentro ou fora da norma sem que isso seja sinónimo de anormalidade.
A Norma funcional traduz-se por uma alteração de funções relevantes, como por exemplo incapacidade de movimentação, sendo importante para o diagnóstico de doenças somáticas.
As alterações funcionais nem sempre são objectiváveis, o que dificulta a definição das doenças mentais.  
Na Norma social a doença é definida por normas e valores socialmente instituídos.
Na perspectiva da etiquetação, Scheff postula que no desvio primário, a pessoa que desrespeita uma determinada norma social pode desencadear duas reacções.
- O comportamento é normalizado pela tolerância, racionalização, discussão e o conflito solucionado.
- O conflito não se soluciona de maneira positiva, a pessoa recebe adjectivos depreciativos, diagnósticos ou condenações judiciais, instalando-se estigmas que desencadeiam desvios secundários nos quais a pessoa ou se comportar em conformidade com norma social, ou com depreciação recebida, o que constitui um dos grandes problemas de todos os tipos de classificação e diagnóstico das doenças da mente.
A Norma dos especialistas é uma forma especial de norma social, definida por uma categoria de especialistas médicos, psiquiatras, juristas, psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, etc.
No entanto, as normas sociais estão sujeitas a arbitrariedades o que constitui um dos graves problemas na atribuição de diagnósticos aos considerados doentes mentais.
Mais que outra doença somática o doente mental deve ser escutado durante o tempo que for necessário, protegido e acompanhado quase que diariamente pela sua família, amigos, colegas de trabalho, entidades paternais, chefias, e essencialmente pelos técnicos de saúde onde se inclui, médicos, médicos psiquiátricos, psicólogos, enfermeiros e até por juristas.

O preconceito do doente mental deve ser banido evitando-se que o doente se transforme num doente “oculto” rotulado depreciativamente, marginalizado, indefeso e vítima de predadores.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

CRÓNICA DO DIA DA MÃE

CRÓNICA DO DIA DA MÃE
Aquela criança com 7/8 anos de idade era obrigada a percorrer algumas ruas da cidade deixando sacos de pão fresco dependurados nos batentes das portas dos clientes da padaria da sua mãe.
Pelas 06,00 h da manhã o dia estava ameno e o Sol brilhava por entre frondosos castanheiros que cresciam no jardim.
De repente, sob a sombra relaxante de um dos castanheiros aquele menino depara-se com a sua mãe em pleno acto sexual com um individuo que não era seu pai.
O menino, ali ficou como que com que petrificado, enquanto a sua mãe “gemia” de prazer. Chorando convulsivamente o menino assistiu até à consumação do acto.
Por fim, ambos se levantaram, não observando que estavam a ser observados.
Ele faz a pergunta do costume: - Foi bom?
Ela responde da mesma forma: - Foi!
A mãe do menino veste a cueca, o homem urina, sacode o pénis e retira-se apresentando elevada satisfação como se tivesse realizado um feito “glorioso” e do tipo “macho latino”
Fortuitamente, a mãe retira-se do local e regressa ao seu local de trabalho, como se nada tivesse acontecido, onde se encontrava o pai do menino.
A criança guardou para si todo o sofrimento que aquela “cena” desencadeou na sua pequena e inocente mente.
Claro está que aquela mãe teve mais casos até ao dia em que o pai do menino os descobriu e a abandonou.
Retirou-se simplesmente, não exercendo qualquer tipo de violência.
Por causa de umas “fodas”, a que hoje em dia chamam direito de liberdade sexual das mulheres    e igualdade de género aquele menino ficou órfão de pai vivo e a sua vida nunca foi a vida a que tinha direito, porque o seu pai era um homem de elevadas posses económicas e saber cultural.
O menino também ficou órfãos de mãe porque ela deixou de prestar os cuidados devidos.
Destruindo por completo a vida económica, social e cultural do pai, aquela mãe, por inerência, destruiu a sua própria vida e a do menino.
Há para aí uma psicóloga chamada Marta, que manda uns “palpites” na revista de um jornal, sobre direitos, liberdades sexuais e violência sobre as mulheres e com a qual estou completamente de acordo.
No entanto no meu modesto entender de médico ginecologista/obstetra, perito médico legal tenho que dizer que sendo a liberdade sexual um direito que assiste a ambos os sexos e que os homens e as mulheres andam nas redes sociais ao “engate” devem ter procedimentos minimamente honestos.
Não se casarem, não terem um praceiro fixo ou viverem em união de facto.
Não terem ou evitarem ter filhos.
Tendo filhos não devem darem “quecas” na sua presença das crianças nem os introduzirem na residência do casal. Há motéis.
Se querem andar ao engate nas redes sociais antes de o fazer devem explicar a situação mais ou menos assim:
Querido/a quero conhecer uns “gajos” na net para dar umas “quecas”! Aceitas?
Se ele/a não aceitar separam-se, indo cada um dar as “quecas” que quer e com quem quer.
Mas, em nome de Deus preservem as crianças que não tem culpa dos tarados que por aqui andam.
Crianças que tarde ou cedo se irão revoltar contra o progenitor que as traiu, porque como sabem há traumas que marcam para toda a vida e em especial os causados pelas mães.
Da parte que me cabe não desejava ter uma mãe como a que me descreveram e por isso, neste dia, felicito todas as mães e os pais que se respeitam porque ao se respeitarem respeitam os seus filhos, evitando os traumas de infância que tem repercussões no futuro das relações amorosas dos adultos que quando crianças que foram submetidas a este tipo de ofensas à sua dignidade, o que os podem transformar em tarados sexuais.
A vida não vale uma “queca” e muito menos um orgasmo de segundos que não pode nem deve ser uma alternativa ao amor de uma mãe/pai pelos seus filhos.


Hoje é o dia da mãe em Portugal. A todas as mãe que retiram os filhos ao seu pai obrigando-os a conviver com energúmenos

MÃE
Diz-me
De que sou fruto?
Dum impulso?
Dum caso furtuíto?
Dum momento de prazer?
Porque me fizeste nascer?
Sofreste?
Tiveste dor?
Traduziste-a em amor?
Acolheste-me no teu seio?
Apertaste-me contra ao peito?
Afagando-me o cabelo,
Beijaste-me o rosto, com ternura?
Num tom comovido,
Sussurravas-me ao ouvido,
As canções de embalar?
Até eu adormecer,
Até eu acordar?
Nisso sentias prazer?
Felicidade
De eu ser, o teu menino,
A tua continuidade?
O teu destino?
Então diz-me:
Cresci sem o teu carinho,
Porque estavas ausente.
De ti não tive um miminho.
Porque me abandonaste?
Porque na minha inocência
Permites que seja vítima de violência?
Enquanto o meu pai presente
Ama-me loucamente
Aperta-me nos seus braços
Dá-me o que tu não dás
Porque não és capaz.
Porque mo queres tirar?
Porque o queres matar?
E a outro me entregar?