segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SAÚDE MENTAL - PROTECÇÃO DOS DOENTES.

SAÚDE MENTAL
Falar-se de saúde mental presume-se da existência de doença mental.
Sendo médico especialista em ginecologia/obstetrícia não me é dado conhecimentos científicos profundos na área da psiquiatria.
Num suplemento comercial editado por um jornal diário foi tornado publico que em Portugal é o país da Europa com maior prevalência de doenças mentais, desconhecesse a realidade, não se dão respostas adequadas aos portadores da doença e que na saúde mental só se investe 5%, o que representa menos de metade do que é investido nos países da EU.
Nas doenças somáticas, o doente tem consciência da sua doença, por norma adere aos tratamentos, tem apoios familiares, dos técnicos de saúde de uma forma mais assídua e consistente. 
Dado ao elevado grau de dificuldade de “penetrar” na mente, a doença mental é um problema de saúde mais grave que qualquer doença somática.
Nas doenças da mente, o doente não admite a sua doença.
Entende que os que o rodeiam é que se encontram doentes, os médicos fizeram diagnósticos completamente errados, não aderem, auto-suspendem os tratamentos e mentem frequentemente sobre o assunto.
Por outro lado, o doente é “rotulado” de “louco”, marginalizado pelos seus “amigos,” familiares, entidades patronais, directores, chefes de serviço, colegas de emprego e até por alguns técnicos de saúde.
No âmbito da minha especialidade sou confrontado, diariamente, com mulheres portadoras de patologia mental caracterizadas por ansiedades, estados depressivos simples, graves, muito graves com tentativas de suicídio, esquizofrenias, bipolaridades, equivalentes somáticos intratáveis porque a sua doença não se encontra nos somas (corpo ou órgão) mas unicamente na sua mente.
As que se encontram estáveis por meio de fármacos e sob “controlo” médico psiquiátrico, são reavaliadas e reencaminhadas para a psiquiatria quando sob suspeita de terem suspendido a medicação.
Outras recusam veementes serem submetidas a uma consulta de psiquiatria.
A doença mental fragiliza o seu portador fazendo com que seja presa fácil dos predadores sexuais e económicos das medicinas alternativas, adivinhos, cartomantes, massagens tântricas, reikis com reconecções, de indivíduos sem escrúpulos, existentes no Face Book, no Linkedin e em outras redes ditas sociais. (seis identificados).
O doente com patologia mental deve ser protegido pela família e impedido ou controlando quanto as “amizades” e a exposição a que se encontra sujeito através das redes sociais.
Deveria haver mecanismos jurídicos que penalize fortemente os predadores e proteja as suas vítimas.
Recentemente identifiquei um médico, dito cirurgião, que utiliza o Linkedin, rede profissional, para criar “novas amizades”, diz ele, não relacionadas com a sua actividade profissional mas cujo objectivo é o “engate,” fazem dele um doente mental.
As alterações ou distúrbios mentais aplicam-se a qualquer anormalidade ou estados comportamentais que podem caracterizar um estado de doença mental.
“Podem”, digo eu, porque o conceito de normal ou anormal é subjectivo.

“CONCEITO DE ANORMALIDADE
O conceito de anormalidade só é compreensível em relação a uma norma, mas nem toda variação em relação a uma norma tem carácter patológico.
As normas “impostas,” que regulam a sã convivência social, podem ser provenientes de mentes, também elas, portadoras de anormalidades, não estando assim garantida a veracidade das “normas” que impõem.
A História está repleta de normas impostas por portadores de doença mental que conduziram a Humanidade a catástrofes.
Por outro lado um sobredotado ou um criminoso estão ambos "fora da norma", sem que seu estado tenha um carácter patológico.
Para se compreender a existência de doença mental é necessário saber-se em que tempo, em que sociedade cultural é que a norma foi implementada por ser relevante para a definição de doença.
Na Norma subjectiva a pessoa sente-se doente.
Esta norma não é suficiente para uma definição de doença mental, porque envolve uma percepção subjectiva que pode derivar de uma percepção objectiva, além de que as duas percepções podem estar contidas no mesmo problema.
Há casos em que a pessoa está subjectivamente doente, não sendo o seu estado observável externamente ou vice-versa.
A Norma estatística é dada pela frequência do fenómeno na população em que todas as pessoas estão acima ou abaixo de um valor instituído como padrão para a normalidade.
Esta norma não considera o valor das características de cada pessoa que pode estar dentro ou fora da norma sem que isso seja sinónimo de anormalidade.
A Norma funcional traduz-se por uma alteração de funções relevantes, como por exemplo incapacidade de movimentação, sendo importante para o diagnóstico de doenças somáticas.
As alterações funcionais nem sempre são objectiváveis, o que dificulta a definição das doenças mentais.  
Na Norma social a doença é definida por normas e valores socialmente instituídos.
Na perspectiva da etiquetação, Scheff postula que no desvio primário, a pessoa que desrespeita uma determinada norma social pode desencadear duas reacções.
- O comportamento é normalizado pela tolerância, racionalização, discussão e o conflito solucionado.
- O conflito não se soluciona de maneira positiva, a pessoa recebe adjectivos depreciativos, diagnósticos ou condenações judiciais, instalando-se estigmas que desencadeiam desvios secundários nos quais a pessoa ou se comportar em conformidade com norma social, ou com depreciação recebida, o que constitui um dos grandes problemas de todos os tipos de classificação e diagnóstico das doenças da mente.
A Norma dos especialistas é uma forma especial de norma social, definida por uma categoria de especialistas médicos, psiquiatras, juristas, psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, etc.
No entanto, as normas sociais estão sujeitas a arbitrariedades o que constitui um dos graves problemas na atribuição de diagnósticos aos considerados doentes mentais.
Mais que outra doença somática o doente mental deve ser escutado durante o tempo que for necessário, protegido e acompanhado quase que diariamente pela sua família, amigos, colegas de trabalho, entidades paternais, chefias, e essencialmente pelos técnicos de saúde onde se inclui, médicos, médicos psiquiátricos, psicólogos, enfermeiros e até por juristas.

O preconceito do doente mental deve ser banido evitando-se que o doente se transforme num doente “oculto” rotulado depreciativamente, marginalizado, indefeso e vítima de predadores.