terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hoje é o dia da mãe em Portugal. A todas as mãe que retiram os filhos ao seu pai obrigando-os a conviver com energúmenos

MÃE
Diz-me
De que sou fruto?
Dum impulso?
Dum caso furtuíto?
Dum momento de prazer?
Porque me fizeste nascer?
Sofreste?
Tiveste dor?
Traduziste-a em amor?
Acolheste-me no teu seio?
Apertaste-me contra ao peito?
Afagando-me o cabelo,
Beijaste-me o rosto, com ternura?
Num tom comovido,
Sussurravas-me ao ouvido,
As canções de embalar?
Até eu adormecer,
Até eu acordar?
Nisso sentias prazer?
Felicidade
De eu ser, o teu menino,
A tua continuidade?
O teu destino?
Então diz-me:
Cresci sem o teu carinho,
Porque estavas ausente.
De ti não tive um miminho.
Porque me abandonaste?
Porque na minha inocência
Permites que seja vítima de violência?
Enquanto o meu pai presente
Ama-me loucamente
Aperta-me nos seus braços
Dá-me o que tu não dás
Porque não és capaz.
Porque mo queres tirar?
Porque o queres matar?
E a outro me entregar?