quarta-feira, 25 de novembro de 2015

HOMICÍDIO SEGUIDO DE SUICÍDIO

HOMICIDIO


INTRUDOÇÃO
Não é de minha intenção ilibar o acto hediondo e tresloucado.
Tenho por finalidade contestar alguns dos “opinantes de serviço” que mais não fazem que “condenar” na “Praça Pública”.
Ao desde já “condenado” não é facultado o Direito de defesa, de resposta e da contradita.
Entendo por condenável a total ausência de ética, de sentimentos humanos e que a comunicação social utilize a “desgraça” alheia e os crimes de sangue com objectivos claros de promover as audiências e consequentemente a publicidade da qual sobrevive.
Ao vulgar cidadão, que reprime e controla, ao longo dos tempos, as suas angústias e conflitos sociais graves, proponho que solicite ajuda junto da Comunicação Social na divulgação do seu “caso”.
Terá da parte dos jornalistas um sorriso, uma “palmadinha” nas costas, um que sim…, que vão “apreciar” que mais tarde telefonam, etc.
Decorridas algumas semanas e após insistências do “doente” informam, quando o fazem, que “compreendem muito bem o problema”, mas que e infelizmente não é oportuno e a Direcção não se encontra disponível para a divulgação do seu “caso”.
Não é de interesse público mediático, não cativa as audiências nem fomenta a clientela publicitária e consequentemente o consumismo.
No meu modesto entender a Comunicação Social tem o dever ético, moral, cultural, social, e humano de exercer uma divulgação educativa idêntica à medicina preventiva.
É do conhecimento comum e da minha triste experiência, que a Justiça Portuguesa não exerce cabalmente as funções inerentes a um Estado de Direito. Constantemente viola os Direitos Humanos e das Crianças.
Ora, se a Comunicação Social exercesse uma “medicina preventiva” escutando e dando a oportunidade ao cidadão comum, que recorre aos seus serviços, de divulgar publicamente os graves problemas de angústias, conflitos e stress que afectam a sua personalidade, sou convicto de que o homicídio e o suicídio que diariamente grassam por este País poderiam ser evitados.
A minha proposta é que os meios de comunicação social, visual e escrita, instituam um “gabinete do cidadão” apoiado por psicólogos, psiquiatras e jornalistas, ao qual o cidadão comum possa recorrer e “divulgar o seu caso”, ser “aconselhado”, sentir-se apoiado e principalmente ficar de consciência tranquila porque alguém escutou e vivenciou as suas angústias, medos e conflitos.
Para estes indivíduos, o mais importante é que alguém os ouviu! 




MECANISMOS MENTAIS
A personalidade adquire-se ao longo do desenvolvimento e vai adquirindo técnicas psíquicas com as quais o indivíduo tenta defender-se do que lhe é hostil.
Estabelece compromissos entre impulsos conflituantes e tensões internas numa tentativa, muitas vezes frustre, de “controlar” comportamentos sociais e legalmente condenáveis.
A personalidade desenvolve defesas para manusear a ansiedade, a angústia e o stress delas decorrentes.
Reprime os impulsos agressivos, as hostilidades, os ressentimentos e as frustrações.
Diariamente, todos nós fazemos uso dos mecanismos de defesa que não são obrigatoriamente patológicos.
A vida seria insustentável sem que recorrêssemos à racionalização e à protecção psíquica.
A racionalização e a protecção psíquica é necessária porque promove a capacidade individual de se viver em paz consigo mesmo e constitui um objectivo para fortalecer a personalidade.
A saúde mental é determinada pelo grau, extensão, utilização e ajustamento de um mecanismo motivador selecionado inconscientemente que satisfaz as necessidades, combate as tensões emocionais, proporciona uma defesa eficaz contra a angústia, a ansiedade e o stress.
A personalidade é distorcida, o comportamento é perturbado, quando o grau, a extensão, a utilização de tal mecanismo domina o ajustamento. Isto é:
- O individuo não se ajusta, a personalidade distorce-se, o comportamento perturba-se
As defesas para combater as tensões emocionais contra a angústia, a ansiedade e o stress deixam de ser eficazes e podem conduzir o indivíduo à depressão, ao homicídio e ao suicídio.
Processos similares têm lugar em indivíduos “normais” e “anormais”
O controle consciente exige uma capacidade realista e eficiente de perceber, decidir e regular os mecanismos de fuga e de defesa, ou seja, um ego forte.
CONCLUINDO
Não sendo psicólogo, psiquiátrica ou psíquico analista de “serviço”, pergunto-me se os actos praticados por um homicida serão, ou não, característicos de um indivíduo que excedeu os limites, o grau, extensão e a utilização dos mecanismos de ajustamento que o transportaram para uma personalidade desajustada e distorcida.
Fundamentado nos antecedentes pessoais de alguns homicidas não tenho dúvidas em classificar o comportamento como o de um individuo perigosamente perturbado.
Questiono-me sobre os fundamentos que o levaram a cometer homicídio excluindo-se do suicídio que é comum em casos semelhantes.
Tendo um homicida uma doença grave que o obriga a quimioterapia e com uma esperança média de vida de três meses, o homicídio seguido de suicídio defenderia a tese de que matou para poupar a família à vergonha das dívidas.
Tal tese é pouco ou nada credível, mas que se explica pela sua capacidade realista de compreensão dos mecanismos de defesa e da lei de sobrevivência, inerente a todos os animais.
(Nelson de Brito)
“Durante o desenvolvimento do humano, a mera individualidade torna-se personalidade.
A personalidade individual desenvolvida é o mais complexo sistema de organização conhecido demonstrado pela enorme diversidade entre os seus membros e pelo elevado produto da evolução que conhecemos.”
(JULIAN HUXLEY)
   Adaptado