segunda-feira, 12 de outubro de 2015

PARA QUEM GOSTA DE POESIA. II

SENSIBILIDADE OU INSENSIBILIDADE?

Caminhava eu, absorto
Nas minhas cominações e desilusões
Que ultimamente me atormenta a alma e o pensamento  
Que quase fizeram de mim um morto.
Entretanto, aquela jovem
Que atravessava o jardim
Vem junto de mim
Dizendo:
- Dr. Tinha razão
Tenho um tumor! Vou morrer?
Fitei-a no olhar
Estávamos a lacrimejar.
Confortei-a.
Dei-lhe um mimo.
Afaguei o seu rosto.
Ainda que não o sentisse
Dei-lhe um sorriso de conforto
Ela chorava,
Eu não podia fazer mais nada
Não chore, fique tranquila
Deixe vir o resultado da anatomia.
Vergada pela dor
Caminhou deambulando
Como que embriagada
Chorando.
Caminhei em direcção à minha consulta
Pensando:
-  A vida nada vale é uma luta!
- É uma filha da puta!
Agora aqui repousado
Olho o mar parado
Os cargueiros a navegar
Eu a meditar, a olhar
O Sol pôr
Tentando esquecer a dor
Daquela jovem e a que me atormenta
Pela ausência do amor
Que já não tenho
Quero esquecer.
A ingratidão
Não cabe no meu coração.

Madalena 12.10.2015