quarta-feira, 30 de setembro de 2015

PARA QUEM GOSTA DE POESIA

AS MÃOS

Cumpridas, finas e delicadas.
Talvez abençoadas.
Alimentam, limpam as secreções.
Indicam o caminho,
Enquanto és menino.
Te afagam na tristeza.
Da incerteza
Da vida.
Entrelaçam-se num movimento de paixão
De amor e gratidão.
Secam as lágrimas,
A quem chora
Por alguém a quem se ama
Se foi embora.
Juntam-se para rezar
E pedir a Deus para te “levar.”
Seguram a bengala quando a velhice chegar.
Escrevem versos de amor, de tristeza, de alegria
Do sentir a existência de cada dia.
Abençoam em nome de Deus, segundo a crença.
Pintam na tela a vivência.
Dedilham as cordas do violino,
As teclas do piano,
Os pistões do trombone,
do saxofone, em perfeita sinfonia.
Calejadas
Do jardineiro,
Do pedreiro,
Do escultor,
Do sapateiro,
Do canalizador
Do lavrador.
Do padeiro que amassa o pão que te sustenta.
Do carteiro das boas e más noticias que te atormenta.
Do cirurgião que abrindo o ventre te fez nascer
Do enfermeiro que te ajuda a viver,
Do juiz que condena o inocente,
E lava as mãos como Pilatos
Porque aquele não é gente.
Do indigente,
Que pede esmola
Do carrasco que em nome da liberdade
te degola, te esfola, te explora.
Que te prega na cruz, como fizeram a Jesus.
Do militar que contra ti dispara e mata sem razão.
Pode o amor residir no coração.
Mas a maldade está na palma, na beleza e na simplicidade
Da tua mão.

Haverá parte do corpo humano mais contraditória?