sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FALSA ACUSAÇÃO DE NEGLIGÊNCIA MÉDICA - UM CASO CLINICO


As acusações de negligência  médica em Portugal têm aumentado, nos últimos anos de uma forma assustadora.
A negligência médica existe no entanto e em 99% dos casos não tem qualquer fundamento e mais não visa a obtenção ilícita de proventos económicos por parte dos queixosos ou supostos lesados.
Transcreve-se um caso verídico em que a doente acusa os médicos de negligência expressando que mais não pretendia que uma indemnização pecuniária por danos matérias e não matérias, segunda ela
O exercício da atividade médico/cirúrgica, prima-se ou deve primar-se pelos Princípios do Respeito, Consideração, Humanísticos, e Educação para com todos os doentes.
Um médico é acusado de dar respostas abrutas e secas.
Desconhece-se em absoluto o que se designa por “respostas abrutas e secas.”
Interpretações que são da responsabilidade da própria doente e que ela tem a obrigação jurídica de esclarecer, porquanto configuram difamação o que constitui crime pp no Código Penal.
No dia 14 de Março de 2014, a doente recorreu ao serviço de urgência referindo dor abdominal difusa que e segundo revelou tiveram início após um ato cirúrgico, histerectomia total..
Á entrada apresentava-se consciente colaborante, bem orientada e apirética.
Negou alterações urinárias, e gastrointestinais.
O exame físico mostrou ventre mole e depressível, sem pontos dolorosos e sinais de irritação peritoneal.
Exame ginecológico: com especulo revelou vagina ampla e elástica.
Ausência de leucorreias patológicas.
Cúpula vaginal sem sinais inflamatórios, sem edemas, observando-se “sutura cirúrgica limpa.”  
Exame ginecológico ao toque bimanual: - Progressão normal e ausência de dor à penetração do dedo indicador e médio até ao fundo do saco vaginal.
Fios de sutura palpáveis.
Não se observou “abaulamentos” da cúpula.
À compressão da zona pélvica não foram encontradas “massas” palpáveis.
A DOENTE NÃO MANIFESTOU NEM REVELOU QUALQUER TIPO DE DOR NEM MECANISMOS DE DEFESA CARACTERÍSTICOS DE IRRITAÇÃO PÉLVICA.
Exame ecográfico com sonda endovaginal:
Ausência de dor à introdução da sonda.
Bexiga normal
Ausência de útero.
Ausência de coleções de líquidos característicos de hematomas ou abcessos pélvicos.
Intestinos com fezes.
Do exame físico e dos meios complementares utilizados, concluiu-se que a doente não apresentava patologia pélvica e muito menos relacionadas com atos cirúrgicos. 
Facilmente se depreende, é do conhecimento geral e médico/cirúrgico que os hematomas e as infeções pós cirúrgicas, previstas por inerentes aos riscos dos próprios atos, manifestam-se rapidamente e ainda com os doentes internados, e não decorridos sete dias após o ato.
A doente não apresentava hematomas nem infeções pélvicas.
Decorridos umas semanas a doente recorreu a um outro Hospital Privado, onde andava a ser vigiada por patologia gástrica.
Apresentou queixas abdominais e foi submetida a RX simples do abdómen que desconhecemos se foi executado em posição supina ou em decúbito dorsal,  não nos sendo presente as causas clinicas que motivaram o exame nem o relatório final.
No entanto a doente afirma que no exame referenciado em 15, “lhe visto “qualquer coisa” e que passou logo para um TAC.”
Apresente uma fatura de TAC pélvico rasurado, cujo relatório refere ter-se identificado? Com captação discreta de contraste no “antigo Leito?” uterino com diâmetros transversal e antro posterior de 5 X 2 cm em relação com coleção estendendo-se inferiormente entre a bexiga e o reto?
Tendo em consideração que a doente foi histerectomizada não se vislumbra qual o espaço que se situa entre a bexiga e o reto onde se localizava o hipotético “material extrínseco cirúrgico”.
É que na anatomia feminina a bexiga faz parede única com a parte anterior e o reto com a parte posterior da vagina não havendo qualquer espaço real ou virtual entre eles.  Observando-se ainda material espontaneamente hiperdenso na parede rectal que corresponde a “material extrínseco cirúrgico"
Se a parede posterior da vagina é parte integrante da parede anterior (externa) da ampola retal presume-se que o hipotético “material extrínseco cirúrgico” se encontrava na parede anterior (interna) da ampola retal.
Depreende-se que o hipotético “material extrínseco cirúrgico,” provavelmente é confundido com fezes que se encontravam no interior da ampola retal,
E assim sendo, presume-se que o distinto radiologista confundiu “material extrínseco cirúrgico” com fezes existentes na ampola retal.
Anexo à denúncia é presente uma nota de alta emitida a por distinto cirurgião, aqui se dá por integralmente reproduzida e se transcreve.
DIAGNÓSTICO: HEMATOMA PÉLVICO.
CIRURGIA. DRENAGEM DE HEMATOMA POR VIA VAGINAL.
“É internada neste hospital por dores abdominais nos quadrantes inferiores, disúria, dificuldades na micção e febre. Fez TAC que revela “coleção “ adjacente à cúpula vaginal e no espaço entre a bexiga e o reto.
O cirurgião refere que a TAC revela “coleção” adjacente à “cúpula vaginal”, quando tal descrição não é referenciada nesse exame.
Sendo certo que é credível o diagnóstico do distinto cirurgião HEMATOMA PÉLVICO, questiona-se a veracidade do relatório do TAC.
Sendo que o relatório da TAC é verídico, questiona-se a veracidade do diagnóstico do cirurgião.
Do anterior resulta a obrigação legal, esqueçamos a deontológica, dos intervenientes, cirurgião e radiologista, viram ao processo fundamentar se a utente era portadora de “material extrínseco cirúrgico” ou de um “hematoma pélvico”.
Disúria, dificuldades na micção e febre não são seguramente sintomas exclusivos de hipotéticos “materiais extrínsecos cirúrgicos” nem tão pouco de hipotéticos hematomas da cúpula vaginal pós cirurgia.
Alem de que a doente referia dor nos quadrantes inferiores e não na pélvis ou supra púbicos o que seria mais consentâneo com o hipotético hematoma.
Todas as cirurgias que implicam a área abomino/pélvica, onde se inclui as histerectomias, os doentes, masculinos ou femininos são algaliados pelo que podem ter, como efeito imediato, disúria, dificuldades na micção, obstipação e hipertermia mas seguramente não são exclusivos dos atos cirúrgicos e muito menos decorridos 20 dias após o ato.
Do anterior nada garante que a doente não fosse portadora de uma infeção urinária, quiçá de uma síndrome intestinal (obstipação) que no nosso modesto entender devia ser diagnosticado clinicamente.
Não consta relatório do ato cirúrgico, qual o procedimento, com ou sem anestesia, o local da drenagem cirúrgica, (cúpula, parede anterior ou posterior da vagina) das características do “material” drenado, (sangue ou material infetado) e se o mesmo foi enviado para exame laboratorial.
Do exposto é-nos permitido questionar a veracidade dos atos radiológicos e cirúrgicos executados.
Mas ainda que assim não fosse, afirmamos sem qualquer sombra de dúvida que os procedimentos médico/cirúrgicos realizados anteriormente cumpriram todos os requisitos exigidos pela Legis Artis, segundo os conhecimentos técnico/científicos na área cirúrgica, pelo código deontológico, não existindo a possibilidade remota de qualquer ato negligente por parte dos intervenientes ora denunciados. 
A realização dos atos médico/cirúrgico preenchem um tipo de atuação na qual os profissionais são confrontados com situações de elevado risco e de decisões rápidas durante os atos operatórios.
A realização do ato prevê antecipadamente a possibilidade desse facto e daí o consentimento informado.
Os atos médicos/cirúrgicos foram realizados com intenção de debelar a doença pelo que a conduta dos intervenientes não preenche qualquer tipo de crime previsto na lei, tipificado como negligência, ou negligência com dolo
A doente  acusou de negligência, perante autoridade, com a consciência da falsidade, os intervenientes nos atos médico/cirúrgicos, com intenção deliberada e consciente de que contra aqueles fosse instaurado procedimento quando bem sabia que o seu comportamento é ilícito e que configura crime P.P. no artigo 365º do Código Penal, mas mesmo assim não se absteve de o realizar.
Assim, os signatários exigiram que se retrate e apresente por escrito o competente pedido de desculpas sobe pena de procedimento criminal.



 

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