segunda-feira, 17 de março de 2014

TEORIAS - II

AMOR PRÓPRIO.
Transcrevo a definição tendo por base a teoria de PASCAL, à qual procurei dar um cunho mais pessoal, actual aplicando-o à minha própria personalidade e pensamento.
O amor próprio não impede que o objecto que se ama, nós próprios ou eu próprio, seja repleto de defeitos e misérias.
Sendo "feridos" no nosso amor próprio pela descoberta da essência do que na verdade somos, concebemos um ódio mortal a essa verdade porque não a queremos aceitar.
É-nos impossível aniquilar a verdade do que na verdade somos, procuramos encobri-la aos olhares dos outros.
O ser humano encobre constantemente a verdade dos seus defeitos e exalta a mentira das suas virtudes. (Nelson de Brito)
O defeitos são males que nos provocam angústias mas a maior angústia é não aceitar a verdade dos defeitos.
Detestamos ser enganados e entendemos como injusto que os outros queiram ser amados mais do que merecem.
Do anterior subentendo que não é justo enganar os demais e querer que nos estimem mais do que merecemos devido à mentira da nossa imagem.
Quando vêem em nós imperfeições e vícios devemos entender tal como um bem porque nos ajudad a corrigir e livrar-mos do mal da imperfeição.
Não nos devemos zangar quando conhecem as nossas imperfeições.
É justo que nos conheçam por aquilo que na verdade somos e não por aquilo que aparentamos ser.
Que nos amem se merecemos amor e que nos desprezem se somos desprezíveis.
Isto traduz na perfeição o meu pensamento e o meu conhecimento em relação às coisas e aos outros.
Concluo que não há malícia nem cinismo no meu pensamento.
Sou voluntarioso, directo, e verdadeiro.
Sou convicto da minha equidade e do meu sentido de justiça, coisa rara em Portugal.
O problema humano é odiar a verdade e por isso gosta de ser enganado para seu proveito.
O humano quer ser estimado tal qual não é. Isto é: NÃO QUER SER ESTIMADO PELA VERDADE DOS SEUS DEFEITOS MAS ANTES PELA MENTIRA E OMISSÃO DA SUA VERDADEIRA ESSÊNCIA.
A aversão à verdade é inseparável do AMOR PRÓPRIO.
É errada a delicadeza da mentira porque obriga os que se encontram na necessidade de criticar os outros, a escolherem rodeios e precauções para evitar choca-los. 
se alguém tem interesse em ser amado evita ser desagradável para com aquele que provavelmente ama, tratando-o como ele ou ela pretende ser tratado. Omite a verdade, lisonjeia e engana.
No entanto, no meu modesto entender este amor não irá perpetuar-se. 
A verdade é útil a quem se lha diz, mas é prejudicial para quem a diz porque certamente se fará odiar.
HÁ SEMPRE UM INTERESSE EM FAZER-MOS AMOR E POR ISSO OMITIMOS A VERDADE. DAÍ QUE A VIDA HUMANA É UMA PERPETUA MENTIRA E UMA ILUSÃO, JÁ QUE NÃO FAZEMOS OUTRA COISA QUE NÃO SEJA ENGANAR-MOS UNS AOS OUTROS E LISONJEAR-MOS.
Ninguém fala de nós na nossa presença como fala na nossa ausência.
A UNIÃO QUE EXISTE ENTRE AS PESSOAS BASEIA-SE APENAS NO LOGRO MUTUO.
POUCAS OU NENHUMAS AMIZADES SUBSISTIAM SE CADA UM SOUBESSE O QUE O SEU AMIGO DIZ DELE NA SUA AUSÊNCIA.
O homem não senão um disfarce e uma mentira.
Hipócrita para consigo mesmo e para com os outros.

DEMASIADA VERDADE ABALA-NOS! 
Entendo que ela é necessária ao equilíbrio psíquico porque elimina a neurose da angústia.

DEMASIADOS PRAZERES ABORRECEM! DEMASIADOS FAVORES IRRITAM!

Quando recebemos favores partimos da premissa que teremos a necessidade e a obrigação de retribuir.
Por vezes temos que sobre pagar as dívidas do favor o que nos angustia.

Um favor será tanto mais agradável quando pensamos em poder retribui-lo na medida da nossa vontade, desejo e possibilidade.

Na retribuição, o sentido da obrigação deve ser excluído porque é angustiante.

A ANGUSTIA DA GRATIDÃO DÁ LUGAR AO ÓDIO

SOMOS FERIDOS PELAS QUALIDADE EM EXCESSO.

AS QUALIDADES EM EXCESSO FEREM OS DEMAIS E COLOCA-OS CONTRA NÓS
A ISTO CHAMO INVEJA.