sábado, 24 de agosto de 2013

A DIGNIDADE

A DIGNIDADE

Numa amena “cavaqueira” com o meu filhote de 12 anos, discutia-mos conceitos “filosóficos” da dignidade das profissões.
A propósito da profissão de um “suposto amigo”, segurança no Portão 8 do Estádio do Dragão, e empregado de limpeza, dizia-me ele: Pai todas as profissões são dignas!
Dizia-lhe eu que desde que o homem vive em sociedades organizadas, a dignidade das profissões não tem discussão.
A título de exemplo falei-lhe na Peste Negra que assolou a Europa em consequência da falta de esgotos, e do amontoar de detritos onde se desenvolviam os ratos transmissores de doenças essencialmente gastrointestinais.
Dizia-lhe eu que os médicos, como o aqui seu pai, tem por função observar, diagnosticar e tratar as doenças e que entre as múltiplas especialidades médicas existe uma que se denomina saúde publica.
A Saúde Pública, entre outras actividades, tem por função a prevenção de doenças endêmicas.
Faz parte da saúde pública o tratamento das águas provenientes dos esgotos e o tratamento dos lixos que diariamente cada um de nós produz.
Expliquei-lhe que o tratador de resíduos líquidos, o apanhador e tratador de resíduos sólidos, que ele por vezes observa nas ruas da cidade, têm uma actividade profissional muito mais importante que o médico porque no desempenho das suas profissões previnem as doenças e as contaminações, mas isso não confere a qualquer um dos ditos profissionais a DIGNIDADE PESSOAL.
Assim acontecendo as funções dos médicos de saúde pública encontram-se diminuídas.
Portanto, o tratador das águas dos esgotos, o apanhador e tratador de resíduos sólidos ocupam o vértice da pirâmide na prevenção e no impedimento de doenças, enquanto o médico se segue num degrau mais inferior.
Mas, não se pode confundir DIGNIDADE PROFISSIONAL com DIGNIDADE PESSOAL.
Então expliquei-lhe: Antes do 25 de Abril de 1974, a Dignidade Pessoal era indiscriminadamente atribuída em função do Título Profissional aposto antes do nome ou seja: Dr. Fulano; Eng. Sicrano; etc...
No pós 25 de Abril de 1974, os “inteligentes” “descobriram” que os Portugueses gostavam e queriam ser todos doutores, engenheiros e arquitectos.
Os melhores e últimos exemplos Portugueses são o Socrátes e o Relvas.
Então permitiram e investiram dinheiros públicos na abertura de Universidades, dispersas por todas Aldeias ,Vilas e Cidades de Portugal.
Universidades essas que por sua vez criaram uma série de cursos e de licenciaturas, sem qualidade cientifica, que ninguém sabe do que trata, nem para o que serve, mas que lançou “milhares de jovens licenciados” no desemprego.
Assim, com tantos Drs, e Engs, a designação banalizou-se e hoje em dia os Doutores e Engenheiros de outrora já não são o que são ou o que eram.
Expliquei ao meu filho que da parte que me cabe incomoda-me sobre maneira que me chamem de doutor, (designação anglo/saxônica de doc.), quando na verdade mais não sou que MÉDICO ESPECIALISTA EM GINECOLOGIA/OBSTETRÍCIA.
O pior de tudo é que os “outros” que não são ou são os “tais doutores”confundem o TÍTULO PROFISSIONAL com DIGNIDADE PESSOAL, EDUCACIONAL, CULTURAL, e CONHECIMENTO TÉCNICA/CIENTIFICO.
Ora, para reunir todas estas condições não é necessário ser-se licenciado em coisa alguma.
Alguns políticos tem vindo a apregoar que após o 25 de Abril de 1974, aumentou o grau académico da população confundindo, digo propositadamente, o grau com cultura e conhecimento.
Daí assistir-mos diariamente a burros e imbecis titulados com graus acadêmicos e a “analfabetos” com elevado conhecimento cultural e cientifico.
Finalizando, expliquei ao meu filhote que na verdade o tratador, apanhador de resíduos pode ser um individuo sem qualquer grau académico mas de elevada DIGNIDADE PESSOAL, EDUCACIONAL E CULTURAL.
Expliquei-lhe ainda que a DIGNIDADE DO REI É INERENTE A FUNÇÃO E NÃO AO INDIVIDUO EM SI, que as sociedades organizadas obedecem a hierarquias institucionalizadas, que os indivíduos ocupam posições hierarquias em função da sua actividade profissional pelo que e é nesse sentido que devem ser respeitados.
Contrariamente os ditos “doutores” podem ser, são-no múltiplas vezes, uns refinados imbecis sem dignidade pessoal, mas muitos deles desempenham funções de elevada relevância. É VÊ-LOS SENTADOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, NOS MINISTÉRIOS, NOS TRIBUNAIS, NAS ESCOLAS, NA MEDICINA, NUM NUNCA MAIS ACABAR DE ACTIVIDADES PROFISSIONAIS. 
Ambos concluímos que em boa verdade o seu “suposto amigo” ainda que desempenhe duas profissões DIGNAS (empregado de limpeza e porteiro) não é portador de qualquer educação, cultura ou dignidade pessoal.
Finalmente disse-lhe: Nunca percas nem deixes que te roubem a DIGNIDADE. 
A IGUALDADE SÓ COEXISTENTE COM A DIFERENÇA.