domingo, 5 de maio de 2013

DIA DA MÃE? QUE DIA? QUE MÃE?

 DIA DA MÃE

Não é de minha intenção desprestigiar as mães mais não pretendo que demonstrar que não são santas e que o dia da mãe mais não é que uma invenção comercial.

Inicio pelo lado comercial da festividade.
Em Portugal penso que não há números mas nos Estados Unidos é a segunda melhor data do comércio, depois do Natal.
National Retail Federation (Federação Nacional de Varejo norte-americana) estimou em 2012 os gastos para o Dia da Mãe deve ultrapassar $18.6 bilhões ($152 por pessoa) nos Estados Unidos

Dia da Mãe é uma data comemorativa em que se homenageia a mãe e a maternidade.
Em alguns países é comemorado no segundo domingo do mês de Maio.
O dia da mãe teve origem nos Estados Unidos
Em 1858 Jarvis fundou os Mothers Days Works Clubs em 1858, Jarvis havia fundado os Mothers Days Works Clubs com o objetivo de diminuir a mortalidade infantil das crianças nas famílias dos trabalhadores.
As primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada pela ativista Anna Maria Reeves Jarvis que organizou em 1865 os Mother`s Friendship Days para melhorar as condições dos feridos de guerra da Sucessão.
Em 1870 a escritora Julia Ward Howe autora de O Hino de Batalha da Republica o manifesto Mother's Day Proclamation pedindo paz e desarmamento depois da Guerra de Secessão.

Anna Maria Jarvis, metodista, filha da anterior, nasceu em 1864 na Virgínia e faleceu em 1948 na Pensilvânia. Nunca se casou nem teve filhos. Interessante não é?
A ideia ocorreu-lhe após a morte da sua mãe, Anna Maria Reeves Jarvis, em 1905.
As suas amigas muito preocupadas em face do seu estado depressivo fizeram uma festa para eternizar a morte da sua mãe querendo que a celebração fosse estendida a todas as mães.
Depois de lutar durante três anos para oficializar a data, o governador da Virgínia Ocidental em 26 de Abril de 1910, acrescentou o DIA da MÃE ao seu calendário de datas comemorativas daquele estado.
Em 08 de Maio de 1914, o Congresso dos Estados Unidos aprovou  Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother's Day  e o Presidente dos Estados Unidos, Thomas Woodrow Wilson formalizou, em todo o território dos Estados Unidos, o dia 09 de Maio como o dia das mães. 
Na década de 1920, Anna Jarvis ficou incomodada com a comercialização do feriado. Ela criou a Associação Internacional para o Dia das Mães, alegou direitos autorais sobre o segundo domingo de maio, e foi presa uma vez por perturbar a paz.
Ela e sua irmã Ellsinore gastaram a herança da família fazendo campanha contra o feriado. As duas morreram na pobreza.
Jarvis ficou magoada porque muitas pessoas mandavam para suas mães um cartão impresso.
Dizia ela que "um cartão impresso não significa nada mais que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você que qualquer outra pessoa no mundo. E tortas! Você leva uma caixa para a Mãe - e então come tudo você mesmo. Um belo sentimento!"
Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação e lutou para a abolição do feriado.

Com a mania das grandezas que carateriza os portugueses, em Portugal existem dois dias no ano em que se celebra o dia da mãe.

Primeiro domingo de Maio, também dia da Nossa Senhora da Lapa que se festeja no Porto.
08 De Dezembro, dia da Nossa Senhora da Conceição, ou Imaculada Conceição Padroeira de Portugal que como sabemos foi uma “invenção” do Cardeal Cerejeira.
 IMACULADA CONCEIÇÃO
Cumpre esclarecer que o autor do texto não tem intenção de ofender ou escarnecer os cristãos, porque também ele se revê, em certa medida, no contexto do cristianismo ainda que não seguidor.
O objetivo é diferenciar uma mãe enquanto reprodutora com funções de dar continuidade às espécies e uma outra mãe enquadrada num conceito puramente cultural, religioso, tradição e espiritual.
Segundo o dogma católico, a conceção da Virgem Maria sem  pecado original.
Entenda-se pecado original como alguém que é virgem.
Ora, como todos sabemos Jesus Cristo teve irmãos mais velhos e que após o nascimento de um parto vaginal as mulheres perdem o hímen.
 O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina.
Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.
Desde o cristianismo primitivo diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente.
No século IVEfrém da Síria (306 373) diáconoteólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria seriam limpos e puros de toda a mancha do pecado.
Já no século VIII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria em 8 de dezembro ou nove meses antes da festa de sua natividade, comemorada no dia 8 de setembro.
No século X a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria.
A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de Dezembro, foi definida como uma festa universal em 28 de Fevereiro de 1476 pelo Papa Sisto IV.
Em 1497 a Universidade de Paris decretou que ninguém poderia ser admitido na instituição se não defendesse a Imaculada Conceição de Maria, exemplo que foi seguido por outras universidades como a de Coimbra e de Évora.
Em 1617 o Papa Paulo V proibiu que se afirmasse que Maria tivesse nascido com o pecado original.
Em 1622 Gregório V impôs silêncio absoluto aos que se opunham à doutrina.
Em 8 de Dezembro de 1661Alexandre VII promulgou a Constituição apostólica Sollicitudo omnium Ecclesiarum em que definia o sentido da palavra conceptio, proibindo qualquer discussão sobre o assunto.
Na Itália do século XV o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678.
Em 8 de Dezembro de 1854A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus, onde expressou:
"Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.
Este Papa recorreu ao Gênesis 3:15, onde Deus disse: "Eu porei inimizade entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela".
Segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado, para dar à luz o Cristo, que reconciliaria o homem com Deus.
Maria seria cumprimentada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça", bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão.
Uma vez que Jesus tornou-se encarnado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar seu Filho.
O verso "Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti" (na Vulgata: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te ), no Cântico dos Cânticos  (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição,
"Também farão uma arca de madeira incorruptível; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura." (Êxodo 25:10-11)
"Pode o puro Jesus vir dum ser impuro? Jamais!" (Jó 14:4)
"Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão." (Deuteronômio 10:3)
Outras traduções para a palavras incorruptível  ("Setim" em hebraico) incluem "acácia", "indestrutível" e "duro" para descrever a madeira utilizada que Noé usou essa madeira porque era considerada muito durável e "incorruptível".
Maria é considerada a Arca da Nova da Aliança (Apocalipse 11:19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente "incorruptível" ou "imaculada".
Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.

SÃO TOMÁS DE AQUINO

É um dos meus teólogos e filosofo preferidos.
Alguns teólogos e Doutores da Igreja, como Santo AnselmoSão Bernardo e São Boaventura, chegaram a negar a Imaculada Conceição, mas isso deve ser entendido de acordo com o desenvolvimento da doutrina, que não permitiu a eles ver de forma clara de que forma essa doutrina mariana se encontrava implícita na Revelação divina  (BíbliaTradição).
Sobre S. Tomás de Aquino criou-se um consenso de que ele teria, durante toda a sua vida, negado e repudiado completamente o dogma da Imaculada Conceição.
No livro primeiro dos comentários dos livros das Sentenças, escrito provavelmente em 1252 e quando São Tomás contava apenas 27 anos de idade, ainda no início de sua atividade acadêmica em Paris, ele escreveu:
“Respondo dizendo que se consegue a pureza pelo afastamento do contrário.
Por isso, pode haver alguma criatura que, entre as realidades criadas, nenhum seja mais pura do que ela, se não houver nela nenhum contágio do pecado.
Tal foi a pureza da Virgem Santa, que foi imune do pecado original e do atual." (I Sent., d. 44, q. 1, a. 3)
Depois, S. Tomás adotou uma postura confusa sobre o dogma da Imaculada Conceição, presente em trechos do Compêndio de Teologia e da Suma Teológica.
Pode-se encontrar esta postura na segunda parte do Compêndio de Teologia  (CTh.), que pertence a um período anterior ao da elaboração da III da Suma Teológica, escrito quando Tomás já contava com cerca de 42 anos de idade, sendo provavelmente do ano de 1267.
"Como se verificou anteriormente, a Beata Virgem Maria tornou-se Mãe de Deus concebendo do Espírito Santo.
Para corresponder à dignidade de um Filho tão excelso, convinha que ela também fosse purificada de modo extremo.
Por isso, deve-se crer que ela foi imune de toda nódoa de pecado atual, não somente de pecado mortal, bem como de venial, graça jamais concedida a nenhum outro santo abaixo de Cristo. Ela não foi imune apenas de pecado atual, como também, por privilégio especial, foi purificada do pecado original.
Convinha, contudo relembrar que ela foi concebida com pecado original, por concebida de união de dois sexos." (CTh. C. 224)
Mas, no final da sua vida, São Tomás retornou à sua tese original favorável ao dogma mariano.
A sua defesa encontra-se no texto Expositio super Salutatione angelicae, sermão de um período em que ele já contava 48 anos de idade, provavelmente do ano de 1273
“Ipsa enim purissima fuit et quantum ad culpam, quia ipsa virgo nec originale, nec mortale nec veniale peccatum incurrit”
“Ela é, pois, puríssima também quanto à culpa, pois nunca incorreu em nenhum pecado, nem original, nem mortal ou venial”
Este retorno à tese original encontra-se também em várias obras da época final de S. Tomás, como por exemplo na Postiila Super Psalmos de 1273, onde se lê no comentário do Salmo 16, 2:“Em Cristo a Bem-Aventurada Virgem Maria não incorreu absolutamente em nenhuma mancha” ou no Salmo 18, 6: “Que não teve nenhuma obscuridade de pecado”7 .

Compulsada a Biblia veremos que Jesus desvaloriza a mãe e ao longo da sua curta vida sempre se refere ao Pai.

A BIBLIA

Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: “Bendigo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do Teu agrado. Tudo me foi entregue pelo Meu Pai e ninguém conhece o Filho senão o Pai e aquele a quem o filho o quiser revelar. S. Mateus 11 (25 a 27)

Estava Ele ainda a falar à multidão, quando apareceu Sua mãe e Seus irmãos, que do lado de fora, procuravam falar-lhe. Disse-lhe alguém: “A Tua mãe e os Teus irmãos estão lá fora e querem falar-Te”. Jesus respondeu ao que Lhe falara: “Quem é a minha mãe e quem são os Meus irmãos”? Pois todos aqueles que fizerem a vontade do Meu Pai que está nos seus céus, esses são Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe. S. Mateus 12 (46 a 49).

Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Pascoa. Quando chegou aos 12 anos, subiram até lá, segundo o costume dos dias de festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o Menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procura-Lo entre os parentes e conhecidos. Não O tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à Sua procura. Volvidos três dias Encontraram-No no Templo sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos os Ouviam estavam estupefatos com a Sua inteligência e as Suas respostas. Ao vê-Lo, ficaram assombrados e a sua mãe disse-Lhe: “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que o Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura”. Ele respondeu: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa do Meu Pai? S. Lucas 2 (41 a 49)

Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que Te amamentaram!” Ele porém retorquiu: “Diz antes: Felizes os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática. S. Lucas 11 (27 e 28).

Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Não pode o Filho fazer nada por Si mesmo senão vir o Pai fazê-lo, pois tudo quanto o Pai fez, também o filho o faz igualmente. Porque o PAI AMA O SEU FILHO e mostra-lhe tudo quanto faz; Mostrar-lhe-á obras maiores que estas, de modo que ficareis admirados. S. João III, 5 (19 a 20).

Junto da Cruz de Jesus estavam Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala. Ao ver Sua mãe e junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. Despois disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe”. S. João 19 (25 a 27).

Na proximidade da morte Jesus não apelou à sua mãe.
Chamou-lhe MULHER e NÃO MÃE.
Terminou dizendo: “Eis aí o teu filho”
Das expressões de Jesus na hora da Sua morte pode-se interpretar que Jesus queria deixar bem claro que Maria não era sua mãe (MULHER) e que Ele não era seu filho (EIS AÍ O TEU FILHO)?  

No dia 2013.05.04, ontem, um dia antes da celebração do dia da mãe o Jornal de Noticias publicava na sua página 13 – MÃE DETIDA POR TENTAR MATAR AS FILHAS.
Pergunto-me em que mundo vivemos?

MÃE
Diz-me
De que sou fruto?
Dum impulso?
Dum caso furtuito?
Dum momento de prazer?
Porque me fizeste nascer?
Sofreste?
Tiveste dor?
Traduziste-a em amor?
Acolheste-me no teu seio?
Apertaste-me contra ao peito?
Afagando-me o cabelo,
Beijando-me o rosto,
Com ternura,
Num tom comovido,
Sussurravas-me ao ouvido,
As canções de embalar?
Até eu adormecer,
Até eu acordar?
Nisso sentias prazer?
Felicidade
De eu ser
O teu menino
A tua continuidade?
O teu destino?
Então diz-me:
Cresci sem o teu carinho
Porque estavas ausente.
De ti não tive um miminho.
Porque me abandonaste?
Porque na minha inocência
Permites que seja vítima de violência?
Enquanto o meu pai presente
Ama-me loucamente
Aperta-me nos seus braços
Dá-me o que tu não dás
Porque não és capaz.
Porque mo queres tirar?
Porque o queres matar?
E a outro me entregar?

Nelson de Brito