sábado, 2 de fevereiro de 2013

CONTRACEÇÃO E DIANE 35


CONTRACEÇÃO
E
DIANE 35
Reprodução é a qualidade que cabe a ambos os sexos.
CONCEBER É PRIVILÉGIO DO SEXO FEMININO.
Na reprodução sexuada, a função dos gâmetas, feminino e masculina, implica fecundação e conceção para o desenvolvimento do zigoto.
Os métodos contracetivos mais não são que anti fecundativos já que impedem a união dos gâmetas, atuando sobre os espermatozoides ou sobre os óvulos.
CICLO
Entende-se por ciclo o período que decorre entre o início de cada menstruação, que normalmente é de vinte em vinte oito dias.
Pode haver ciclos de vinte e cinco, trinta e trinta e cinco dias.
Os ciclos inferiores a vinte dias ou superiores a trinta e cinco dias, grosso modo, traduzem insuficiência ovárica, hormonal, ou ambas.
Requerem avaliação médica e frequentemente são causa de infertilidade feminina.
O ciclo tem três fases e é na fase lútea do ciclo, quando se atinge o pico LH, que se dá a ovulação.
Num ciclo de vinte e oito dias, as mulheres sabem que ovulam ao décimo quarto dia, num ciclo de vinte e cinco dias provavelmente ovularão ao décimo segundo, num de trinta dias ovularão ao décimo quinto dia.
Decorridos dois dias, os níveis sanguinos de LH descem, enquanto os de progesterona sobem.
A progesterona libertada vai atuar no Centro Termo Regulador (CTR), existente no Sistema Nervoso Central (SNC), elevando a temperatura corporal de 0,5 º a 1º C, sendo o que se denomina temperatura basal (TB).
Paralelamente sucedem-se alterações fisiológicas:
Aumento da elasticidade da pele.
Aumento das secreções vaginais.
Aumento dos fluidos do colo uterino.
Turgidez das mamas e mamilos.
Retenção de líquidos.
Cefaleias (dores de cabeça)
Dor da pélvis, que as mulheres referem aos ovários.
Aumento do desejo sexual.
Nas mulheres com ciclos regulares, a inatividade sexual e o coito interrompido no período ovulatório, são métodos relativamente eficazes.
Para uma maior eficácia do método, a inatividade e o coito interrompido deve ter lugar entre o décimo oitavo dia do ciclo, contados desde o primeiro dia da menstruação.
A TB deve ser avaliada introduzindo o termómetro no ânus, no início da manhã e antes da mulher se levantar da cama.
É um método fiável, amplamente difundido e útil em Reprodução Humana Medicamente Assistida (RHMA).
Em termos de contraceção requer alguns cuidados e é condicionada por doenças febris, exercício e outros.
CONTRACEÇÃO
Desde a sua primitiva constituição em sociedades complexas, o homem tentou evitar que o coito fosse fecundante.
As circunstâncias individuais, familiares, ou medidas políticas demográficas dos Estados limitam a capacidade reprodutiva.

A BÍBLIA – no gêneses 38.9 – descreve o coito interrompido.
As referências mais citadas do uso de contracetivos de aplicação local encontram-se descritos em papiros egípcios que datam do ano 2.000 Antes de Cristo (AC).
As mulheres introduziam na vagina excrementos de crocodilo e elefante.
Ao longo dos tempos outras técnicas e procedimentos foram utilizados como por exemplo tampões de excrementos de crocodilo embebidos em mel, esparto embebido em suco de acácia mesclado com mel.
ARISTOTELES preocupado com o aumento da intensidade da populacional aconselhava a ingestão de porções ácidas antes do coito
Esta prática constitui uma medida anticoncecional sistémica antecessora da pilula.
Em 1720, o higienista britânico “CONDON”, que atualmente se designa por preservativo ou “camisinha”, introduziu no mercado o primeiro preservativo utilizando intestinos de ovelha.

OS MÉTODOS ANTI REPRODUTIVOS SÃO DIVERSIFICADOS.

Não doação de espermatozoides
Abstinência sexual.
Coito interrompido.
Vasectomia.
Não doação de óvulos:
Abstinência sexual.
Coito interrompido.

METODOS DE BARREIRA
Preservativo masculino.
Preservativo feminino.
Dispositivo intrauterino (DIU).

Impedância química à progressão dos espermatozoides
Espermicidas.

Impedância mecânica à progressão dos óvulos
Laqueação Tubar Laparoscópica.
Laqueação Tubar por salpingectomia (corte cirúrgico das trompas).

A laqueação tubar laparoscópica é um método cirúrgico que demora dez minutos, sob anestesia geral, e as mulheres tem alta hospitalar no mesmo dia.
Resume-se a um pequeno orifício 2 cm junto do umbigo por onde se introduz o sistema de laparoscopia colocando-se um anel, um clip que envolve as trompas, ou cortando as trompas com o bisturi elétrico.
A laqueação tubar por salpingectomia é um método que demora aproximadamente vinte minutos, sob anestesia geral e as mulheres tem alta decorridos dois dias.
Neste método, abre-se a cavidade abdominal, (mini laparotomia), corta-se a parte distal das trompas e daí o seu nome salpingectomia.
Alguns cirurgiões optam por “amarrar” as trompas ou então secciona-las com o bisturi elétrico.
Contrariamente ao que muitos homens pensam, influenciados por alguma crença e ignorância popular, nenhum dos métodos tem influência no desejo sexual das mulheres.

ESTES MÉTODOS NÃO SÃO TOTALMENTE EFICAZES E QUE UMA PERCENTAGEM MÍNIMA DE MULHERES (1%) CORREM O RISCO DE ENGRAVIDAR, SENDO A GRAVIDEZ ECTÓPICA (FORA DA CAVIDADE UTERINA) MAIS FREQUENTE.

PILULA
Existem no mercado sob as mais variadas marcas, que aumentaram com o advento dos genéricos, pese embora todas terem na sua constituição os mesmos princípios farmacológicos ativos, estrógenos e progestagenos ainda que em dosagens diferentes.
Atuam a nível do sistema nervoso central no eixo hipotálamo/hipófise/ovário, impedindo a ovulação, daí a designação de anovulatórios.
Mais de 100 milhões de mulheres em todo o mundo utilizam este método contracetivo o que se traduz num GRANDE NEGÓCIO.

IMPLANTE SUBSUTÂNEO
É um método de contraceção hormonal idêntico ao da pílula que se aplica sob a pele na face interna do braço.
A absorção faz-se lentamente o que permite uma contraceção por um período de três anos.
É um método eficaz, cómodo e de aplicação simples.
A dificuldade é remover o implante quando termina o seu prazo de validade ou quando a utente pretende a sua remoção.

PATCH TRANSDERMICO
Trata-se de um sistema de aplicação tópica, tipo adesivo, com os mesmos constituintes farmacológicas da pilula.
Tem uma ação contracetiva eficaz por um período de sete dias.
Assim, o PATCH ou ADESIVO é substituído de sete em sete dias durante três semanas.
Á semelhança dos contracetivos orais à quarta semana não se utiliza o PATCH.

ANEL VAGINAL
É um contracetivo de aplicação tópica na vagina.
Contém os mesmos princípios ativos dos contracetivos orais.
A absorção faz-se através da mucosa vaginal durante três semanas findas as quais terá de ser retirado.
Á semelhança dos contracetivos orais faz-se um intervalo de sete dias.

A PILULA DO DIA SEGUINTE
Não é um contracetivo e muito menos um abortivo.
Contem um princípio ativo em altas doses denominado Levonogestrel.
O seu efeito farmacológico reduz-se a uma descamação precoce do endométrio provocando uma hemorragia.
Atendendo aos seus efeitos laterais gravíssimos, como tromboembolismo que pode desencadear acidentes vasculares cerebrais (AVC), e enfartes agudos do miocárdio, deve ser prescrito sobre orientação médica.
Entende-se por erro gravíssimo e lesivo da saúde pública ser um fármaco de venda livre.
Há um conceito errado quanto ao período de tempo da sua utilização.
Não tem qualquer sentido nem eficácia a utilização do fármaco no período decorrente entre o primeiro e o décimo segundo dia contados após o primeiro dia da menstruação.
Numa mulher com ciclos regulares, o período ovulatório decorre entre o décimo terceiro e o décimo sétimo dia após a data do primeiro dia da menstruação.
Por uma questão de segurança aconselha-se que a pilula do dia seguinte seja utilizada entre o décimo segundo e o décimo nono dia após a data do último dia da menstruação.
Não tem interesse terapêutico a utilização da pilula entre o vigésimo dia e o primeiro dia da menstruação que se lhe segue.
Portanto, aconselha-se que solicitem a opinião de um médico antes de utilizarem este tipo de contraceção.


DIANE 35
Não me move qualquer interesse comercial sobre esta pilula que faz parte do meu arsenal terapêutico há cerca de 30 anos.
Cumpre desde já esclarecer que o DIANE 35, não é um contracetivo ainda que tenha algum efeito.
Quando as mulheres, geralmente muito novas, me surgem na consulta queixando-se de ausência prolongada de menstruação, com acne, “barba”, pêlo nas mamas, no peito, no dorso, nos braços, nas pernas e com queda de cabelo, o fármaco de eleição utilizado é o DIANE 35.
Após colher uma história clinica, antecedentes pessoais e familiares de doenças como hipertensão arterial, diabetes, doenças hematológicas, doenças renais, das supra-renais, utilização de outros fármacos, submeto-as a exame ecográfico e a estudos hormonais a fim de determinar se os andrógenos se encontram elevados,
Instalada a polémica em volta deste fármaco tenho sido inquirido pelas minhas doentes que “assustadas” me perguntam se devem ou não interromper o medicamento.

Assim, é minha obrigação informar e a esclarecer.

Ao longo da minha vida profissional utilizei e utilizo este fármaco centenas de vezes, mais de um milhão de pilulas, e não tenho um único caso de acidentes vasculares cerebrais, tromboflebites ou mortes.  
No meu entender, a polémica é movida por interesses puramente comerciais.
Convém não esquecer que a DIANA 35 é um fármaco que se encontra no mercado há mais de 30 anos, utilizado por milhões de mulheres o que provoca esta “guerra” entre as Industrias Farmacêuticas.
Tanto mais evidente é a “guerra” com o surgimento das pilulas ditas genéricas cujo numero já lhes perdi a conta.
Os interesses comerciais sobrepõem-se aos interesses e direitos dos doentes o que é muito grave e lamentável.

A DIANE 35
Contem uma combinação de ciproterona e etinilestradiol.
O etinilestradiol está presente na maioria dos contracetivos químicos, sejam eles pilulas, patch, anel vaginal ou implante subcutâneo.

A ciproterona
Tem efeitos anti androgénios, ou seja, inibe em certa medida os androgénios.
Regula os androgénios, testosterona (hormonas sexuais masculinas) que por vezes está exacerbada no sexo feminino em consequência de uma desregulação hormonal como por exemplo no Síndrome do Ovário Poliquistico, e nos Síndromes Androgenitais.
Nas mulheres com desregulação hormonal por aumento elevado da testosterona surge alterações do ciclo com períodos longos de amenorreia, (ausência de menstruação), queda de cabelo, hipertricose, (aumento do pêlo), e alopecia, (queda de cabelo).

Interessa saber os antecedentes clínicos e a existência ou não de doenças que desencadearam os Acidentes Vasculares das quatro mulheres que se dizem vítimas dos efeitos laterais da DIANE 35.
É fundamental saber se as quatro mulheres foram ou não submetidas a exames toxicológicos que permitam fazer prova de que a ciproterona em circulação no sangue atingiu níveis suficientes para alterar os fatores da coagulação com capacidade de provocar tromboembolismo e os consequentes acidentes vasculares cerebrais.

É SABIDO QUE TODOS OS CONTRACETIVOS ASSIM COMO TODOS OS FARMACOS TEM EFEITOS LATERIAS AOS QUAIS OS MÉDICOS E OS UTENTES DEVEM ESTAR ATENTOS.

PORTANTO NENHUMA MULHER DEVE TOMAR UM CONTRACETIVO EM GERAL E O DIANE 35 EM PARTICULAR SEM  DISCUTIR OU CONSULTAR O SEU MÉDICO.

NÃO DÊ UM MEDICAMENTO, PILULA OU NÃO, A UM AMIGO OU COLEGA PORQUE O MESMO MEDICAMENTO QUE VOÇÊ TOMA PODE NÃO SER O MAIS INDICADO PARA OUTRAS PESSOAS.

Atualmente os casais tem à sua disposição métodos contracetivos de eficácia comprovada.

São pouco admissíveis gestações não programadas ou não desejadas com recorrência a métodos abortivos de consequências imprevisíveis muitas vezes lesivas da saúde física e psíquica dos casais mas que atinge, de forma dramática, muito mais as mulheres.

De uma forma simplista e resumida permiti-me escrever sobre métodos contracetivos com o objetivo de transmitir uma informação tão de talhada quanto possível evitando os termos, os raciocínios mais técnicos e científicos.

ANTES NÃO TER QUE TER FILHOS INDESEJADOS QUE FREQUENTEMENTE SÃO VITIMAS DE AGRESSÕES PSIQUICAS, FISICAS E HOMICIDIOS COMETIDOS PELAS SUAS PRÓPRIAS PROGENITORAS.

Disponível para mais informação.